Projeto da UnB promove engenharia entre jovens
Por Julia Dietrich, do Aprendiz
Divulgar a engenharia, promover o ensino das ciências e fomentar a ponte entre a universidade e o ensino básico. Essas são as bandeiras do Projeto de Educação em Ciências Continuadas da Engenharia (Precoce) da Universidade de Brasília (UnB): um misto de sala e laboratório, repleto de equipamentos e acessórios super modernos.
Para a coordenadora do Precoce e professora do Departamento de Engenharia Mecânica, Aida Fadel, o projeto supre duas grandes demandas da sociedade: incentivar o trabalho do ensino superior nas escolas públicas e atrair jovens para o exercício da engenharia. “Estamos importando profissionais para dar conta dos novos projetos tecnológicos do país e 70% das nossas riquezas nacionais passam pelas mãos de engenheiros”, avalia, citando como exemplo a Companhia Vale do Rio Doce que cada vez mais vai ao exterior buscar novos profissionais.
Para Aida, a baixa qualidade do ensino de ciências no país está ligada a falta de professores, pouca capacitação na área e falta de laboratórios equipados. Por isso, o Precoce trabalha em dois caminhos diferentes: preparar a universidade para receber estudantes do ensino básico e trabalhar com docentes da universidade nos laboratórios que já existem nas escolas públicas. “Muitas vezes falta segurança e motivação do professor para ensinar ciências aos alunos. Nossa idéia não é fazer com que eles decorem fórmulas e sim possam perceber o quanto há aplicação prática da física, química, informática, biologia e matemática no nosso cotidiano. Depois de realizar experimentos, brincar com os materiais e vivenciar a rotina da criação, aprender as fórmulas fica muito mais fácil. Aquilo que era abstrato ganha uma representação real”, observa.
Inicialmente foi selecionada uma escola de Sobradinho (DF), onde serão ministradas diversas oficinas temáticas, tanto para professores, quanto para os mais de três mil alunos do ensino fundamental e médio. “Nossa idéia é incentivar a troca de saberes e experiências entre as diferentes faixas etárias. Nossos universitários agem como tutores de alunos do ensino médio e os do ensino médio agem como tutores dos do ensino fundamental”, explica.
Para garantir a interdisciplinaridade e contínua motivação, a equipe do Precoce decidiu trabalhar em oficinas que seguem módulos temáticos. Robótica, ‘fazer sabão’, linguagem HTML e energias renováveis são alguns os diversos temas dessas aulas que prometem ensinar sem deixar escapar a diversão. “Os temas também serão adequados a partir das demandas da própria equipe escolar, professores e alunos. Estamos prontos para atender às necessidades desse nosso público”, explica.
Da sala para a rua
Para garantir que a ação não fique só no atendimento de uma escola, Aida não esconde o entusiasmo das inúmeras ações que partirão do Precoce. Uma das mais importantes é a realização de uma feira de ciências itinerante planejada para começar seu percurso já em junho. “Nós queremos que ela funcione como um circo, uma grande tenda de lona, onde realizaremos oficinas de foto na lata, criação de lunetas, entre outras. Com ela percorreremos os diversos municípios do Distrito Federal, privilegiando justamente os lugares com menor acesso à ciência”, indica, pontuando que a experimentação científica pode ser tão fascinante quanto um clássico espetáculo circense. Afinal, todo truque de mágica é antes de tudo uma série de experimentos, cálculos e manipulação de conceitos da física, matemática, química e biologia.
Ambiciosos, Aida e sua equipe querem ainda garantir parcerias com cursos pré-vestibulares e estágios para alunos do ensino médio em laboratórios da universidade. “Estamos viabilizando recursos, mas todos os departamentos de engenharia da UnB estão prontos para receber esses estagiários”, conta, ressaltando a importância da vivência do estudante do ensino básico no espaço universitário. “É fundamental nós os motivarmos a investir em uma carreira universitária”, diz.
Para dar vazão a todas essas metas, o Precoce conta com a participação de cerca de 30 docentes, 18 bolsistas do ensino médio da rede pública local e vários alunos universitários contratados. “Não é possível trabalhar sem a cooperação de todos os agentes envolvidos e é absolutamente fundamental para o desenvolvimento do país que a universidade se disponibilize para atender as escolas do ensino básico. Os frutos dessa parceria são os mais positivos possíveis e sempre se abrem para novas idéias e outras possibilidades”, conclui.
Com recurso total aprovado por um edital do Sistema S e oriundo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal, o projeto foi inteiro construído com menos de R$ 500 mil. Por isso, parcerias com outros órgãos e empresas são, segundo Aida, formas de garantir que o Precoce cresça cada vez mais.
(Envolverde/Aprendiz)