| Por Alexandre Saconi, do Aprendiz | Com o objetivo de combater o preconceito institucional contra as mulheres negras nas entidades de saúde pública, o Projeto Direito à Saúde da Mulher Negra, conheça no http://www.conectas.org/saudemulhernegra/home/index ; que atua desde 2007 na zona leste da cidade de São Paulo (SP), nos bairros de São Mateus e Cidade Tiradentes.
Pensando no fato de que essa parcela sofre dois preconceitos, o de gênero e o de raça, o projeto busca capacitar as próprias mulheres para que elas possam monitorar as políticas públicas de saúde em geral e, mais especificamente, aquelas voltadas à população negra.
“Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz analisou a diferença de tratamento dado às mulheres brancas e negras. Foi levantado que a mulher negra ficava menos tempo em consulta e tinha um menor número de pedidos de exames pré-natais do que as mulheres brancas. Daí a importância do monitoramento e empoderamento propostos pelo projeto”, explica a coordenadora, Bruna Agotti.
Criado por meio de uma parceria entre a Conectas Direitos Humanos e o Geledés - Instituto da Mulher Negra, com apoio financeiro da União Europeia e da Embaixada da Holanda no Brasil, o projeto tem uma duração inicial de três anos, divididos em três etapas.
A primeira foi concluída com a criação de um Manual de Referência em Direito à Saúde da Mulher Negra – um fichário com cinco cartilhas que abordam as temáticas Direitos Humanos, Raça, Gênero e Saúde.
O objetivo do material era servir de apoio para a segunda fase do projeto, que capacitou um grupo de 150 mulheres em 2008. Na formação, usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) e profissionais de saúde participaram de oficinas que buscaram apresentar os direitos da população para que, com isso, pudessem ser reivindicados e violações denunciadas.
A terceira fase trata da criação de Centros de Direitos, inaugurado no dia 14 de março deste ano, no bairro de São Mateus. “O Centro serve, principalmente, para coletar denúncias de violação de discriminação racial e sexismo nos serviços de saúde, encaminhando as denúncias para a Defensoria Pública do Estado de São Paulo”, explica Bruna.
A criação do espaço também busca manter uma formação continuada, reunindo as participantes do projeto em torno de um eixo temático a ser debatido. “No primeiro mês, abordamos o mês da mulher, no segundo, a igualdade racial. Agora, estamos entrando no mês que aborda os direitos de uma maneira mais abrangente”, completa Bruna.
O trabalho é realizado por meio da exibição de filmes, palestras, entre outras atividades. Durante um sábado por mês também é realizada uma oficina de teatro que busca trabalhar a auto-estima. As participantes também levam questões sobre saúde levantadas em seu cotidiano para que possam ser tratadas de maneira lúdica.
Os próximos desafios do Projeto são alcançar a sustentabilidade e continuar o trabalho após o prazo final do patrocínio, o que ocorre em 2010. “Estamos tentando fazer com que o projeto continue de maneira auto-sustentável, através de financiamentos locais. Também tentamos prorrogar o projeto de outras formas possíveis”, completa Bruna. (Envolverde/Aprendiz) |