Projeto auxilia estudantessobre orientação sexual
Falar de sexo com estudantes, na faixa etária que beira a adolescência, não é tarefa fácil. Mas foi com este desafio que o professor de Educação Física, Sidney Gilberto Gonçalves, resolveu iniciar o projeto “Orientação Sexual” na Escola Viver, do bairro Boqueirão, em Curitiba. O trabalho foi elaborado juntamente com a coordenação pedagógica. A iniciativa nasceu depois de ouvir, durante as aulas nas quadras da escola, que muitos dos adolescentes tinham dúvidas sobre sexo. Depois de muita pesquisa e algumas sondagens com os próprios estudantes, foi elaborado um projeto-piloto com o tema “Orientação Sexual, vejam o quanto isso é legal!” e levado à mesa da diretora Nelbina Helena Bento Fachini. Projeto aprovado, foi hora de aplicar aos alunos, inicialmente para as turmas de 5.ª a 8.ª séries. Antes de começar as aulas com os alunos, houve uma reunião com os pais para esclarecer o projeto e até ter o apoio deles. O projeto levou ao conhecimento das turmas algumas dúvidas que o professor e a coordenação julgaram bastante básicas. “Muitos desconheciam informações elementares sobre o tema”, explica. O projeto despertou tanto interesse dos alunos que alguns pais ficaram interessados na metodologia usada nas aulas e resolveram aparecer na escola para conhecer o projeto e saíram satisfeitos, pois perceberam que as aulas realmente ajudariam nesse momento importante da vida dos filhos. A questão principal, segundo o professor Sidney, é que por ser um tema de difícil abordagem no diálogo familiar, o assunto pode não sanar as inúmeras dúvidas freqüentes que surgem e que pode comprometer este processo natural de maturidade dos adolescentes. Para os que tinham dúvidas de perguntar algo na sala – e virar motivo de piada dos colegas – foi criada uma caixa das dúvidas com papéis coloridos e canetas. Os meninos escreviam as perguntas em papel azul e as meninas, em rosa. Depois elas eram respondidas nas aulas. Na avaliação do professor “Esse despertar para a sexualidade é muito normal”, assegura. E é exatamente aí que o projeto de Orientação Sexual entra. Para a diretora Nelbina essa educação deve começar em casa e ter o apoio da escola e de profissionais especializados, como psicólogos, ginecologistas etc. Essa tarefa, segundo ela, não cabe somente à mídia, pois muitas vezes esse não é o melhor caminho. Os estudantes da 6.ª série, Cristhian Gaspar Santos, de 14 anos, e Kristal Lima Pereira Machado, de 12, dizem que aprenderam muito. Cristhian diz que agora sabe sobre o que falar e como respeitar uma garota, já que antes algumas brincadeiras e comentários afastavam e chateavam as meninas. “Foi assim que melhorei o nível da conversa”, avalia. Para Kristal o projeto ensinou a ter mais responsabilidade. “Isso é importante, pois muitas meninas engravidam cedo”. A pedido da professora Nely, regente da 4.ª série, em virtude do que estavam estudando na apostila, este ano o projeto foi ‘estendido ’ à 4.ª série. Durante a aplicação do projeto, que contou com aulas teóricas, pesquisas e práticas direcionadas de 6.ª a 8ª séries, os alunos tiveram que “cuidar de seus filhos”. Casais de alunos da 6.ª série cuidaram de uma boneca como se fosse uma filha; os da 7.ª série cuidaram de um ovo de galinha, levando todos os dias para casa e os da 8.ª cuidaram de um pintinho. Tudo com o propósito de mostrar que é preciso ter responsabilidade e que ter um filho cedo dá trabalho e tira a liberdade. O professor Sidney, que aparece na foto ao lado de Cristhian e Kristal, diz que o projeto é uma forma de “ensinar cedo e certo” algo que não pode ser descoberto “tarde e errado”. (Envolverde/Nota 10) | |
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