Programas de férias divertem crianças e deixam pais tranquilos
O recesso escolar é essencial, mas pode se transformar em dor de cabeça para pais que não sabem onde deixar os filhos enquanto trabalham. Por isso, muitas escolas oferecem programas que deixam os pequenos entretidos durante as férias e os pais tranquilos no trabalho. O ambiente é o mesmo, a sala de aula, mas as atividades são tão diferenciadas e recreativas que as crianças conseguem se sentir de férias mesmo frequentando o colégio. A paulista Patrícia Badke, 42 anos, sempre encontrou dificuldades durante o recesso escolar da filha no inverno. Chefe de cozinha em tempo integral, Patrícia não podia passar as tardes com Gaia, 10 anos, mas também não queria deixá-la em casa com a babá, vendo televisão apenas. O programa de férias do Colégio Sion, onde Gaia estuda, foi a solução. "Acreditamos que estar em companhia de outras crianças e participando de várias atividades é muito mais interessante do que passar o dia todo na frente da TV. Além disso, fico tranquila no trabalho sabendo que ela está segura e feliz", conta.
Segundo a psicopedagoga Luiza Elena do Valle, os programas de férias não são somente confortáveis para os pais, mas também para as crianças que convivem em um ambiente de brincadeiras e amizades. "A ideia é garantir um espaço seguro e divertido. Na época de férias, a escola deixa de ser local para estudos e se volta ao lazer", explica. Patrícia conta que a pequena Gaia inclusive pede para participar do programa e sempre volta satisfeita para casa. "Ela sempre retorna muito feliz contando o que aprendeu. O ano passado ela adorou fazer bonecas de pano, e isso despertou o seu interesse por costura". No Colégio Sion, em São Paulo, o programa acontece sempre na segunda quinzena de julho e recebe cerca de 30 inscritos anualmente. A coordenadora da educação infantil, Maria Bernadete Silveira, explica que o principal cuidado na hora de organizar a programação é criar exercícios recreativos e com "cara de férias". "É essencial que a criança consiga diferenciar o programa das aulas normais. Como o ambiente é o mesmo, essa diferenciação fica a cargo do tipo de atividade realizada", afirma.
Luiza Elena, também autora do livro Brincar de Aprender, diz que o tipo de programação oferecida pode ter um teor educativo, mas que o lazer e a recreação são ainda mais essenciais. "As férias são importantes para a infância, pois são o tempo onde a criança pode brincar e descansar. Frequentar a escola nesse tempo de descanso só será interessante se for por lazer e diversão", afirma. No Colégio Sion, os alunos ocupam suas tardes de julho com acampamentos, sessões de filmes, brincadeiras no parquinho e aulas de arte e desenho. A preocupação em criar nos pequenos uma sensação de férias é tanta que até mesmo a alimentação é diferenciada. "Fazemos churrasco, pastel, piqueniques. Tudo isso para fugir bastante da rotina do ano letivo", conta a coordenadora Maria.
A Escola de Educação Infantil Cata-Ventos, na grande São Paulo, segue a mesma linha. A diretora Myrian Bayeux diz que apesar de as atividades terem objetivos recreativos, o aprendizado acaba ocorrendo de forma natural. "Fazemos bastante aulas de culinária, por exemplo. E ao fazer um bolo, eles vão acabar contando o número de xícaras de farinha e a quantidade de leite, com isso eles estão desenvolvendo noções de matemática". Na Cata-Ventos, o programa ocorre durante o mês de julho inteiro e chega a receber mais de 50 participantes. O diferencial do programa da escola é a possibilidade de receber crianças que não estejam matriculadas durante o ano letivo. A psicopedagoga Luiza Elena também ressalta que os programas de férias nas escolas são a opção perfeita para os pequenos que possuem dificuldade de aprendizado, e por isso não conseguem desenvolver amizades no ambiente escolar. "A criança terá a oportunidade de se integrar com os colegas sem a pressão da comparação do rendimento escolar, cobrado na escola e que, às vezes, inibe alguns alunos", conclui.