18/10/2006

Programa “Prazer de Estar Bem” muda o hábito alimentar de crianças e adolescentes

Por Fábio Rocha, da Agência Indusnet Fiesp

Ao completar um ano, o programa promovido pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Alientação (CAL) da Fiesp e o Sesi/Senai-SP comemoram um saldo positivo. Entre as conquistas, está o aumento de consumo de frutas entre os alunos da rede Sesi-SP e Senai-SP, público-alvo do programa. Dos estudantes, 24% passaram a consumir mais que duas frutas por dia - no início do trabalho, apenas 13% tinham esse hábito. Já o índice de rejeição ao consumo caiu de 33% para 14%. A inserção de verduras e hortaliças nas refeições também aumentou. Hoje, apenas 14% dos alunos não consomem o alimento, ante um índice de 33%. O consumo de verduras no almoço e no jantar subiu de 34% para 48%.

Também foi verificado que 8,5% dos alunos conseguiram reduzir o Índice de Massa Corpórea (IMC) e 87,5% mantiveram. “Pode parecer pouco, mas só o fato de as crianças não aumentarem o IMC já pode se considerar um sucesso”, explicou a diretora do Departamento de Alimentação do Sesi-SP, Tereza Watanabe, na segunda-feira (16/10), durante a apresentação dos resultados do programa. “Nas escolas onde não há o fornecimento de merenda, realizamos um trabalho de orientação com os pais dos alunos sobre como eles devem preparar o lanche dos filhos”, completou.

O programa constatou que 97% dos alunos realizam refeições balanceadas, composta por carboidratos, lipídios, proteínas e sais minerais. Um aumento de 10% desde o início dos trabalhos. "Eles ainda reclamam um pouco, mas sabem da necessidade de ter, por exemplo, legumes e verduras no almoço e no jantar", afirmou a dona de casa, Silvia Angeli da Silva, mãe de dois alunos.

Outro ponto positivo foi o aumento do consumo de leite. Dos estudantes, 47% passaram a consumir mais que dois copos da bebida por dia. No início, apenas 26% tinham esse hábito

O programa foi levado a 285 escolas do Estado de São Paulo, pertencentes às redes de ensino Sesi/Senai, atendendo 230 mil alunos que participaram de palestras, debates, concursos, oficinas, além de receberem orientações sobre os alimentos, suas funções e como montar cardápios equilibrados.

Para avaliar a eficiência do programa foi realizado um acompanhamento com 600 alunos de 4 a 14 anos, das escolas A.E Carvalho’(SP), São José dos Campos, Osasco e Jundiaí, por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e professores de educação física.

Sinal vermelho
Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a população brasileira está acompanhando as tendências internacionais de consumo inadequado de alimentos. Como resultado, verifica-se o excesso de peso em 40,6% da população adulta e 11% das pessoas já consideradas obesas

Na avaliação de João Guilherme Sabino Ometto, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Agronegócio da Fiesp, o programa “Prazer de Estar Bem” colaborou para a diminuição desta estatística, tratando de assuntos de saúde pública.
“Os excessos na alimentação são tão nocivos quanto a ausência de atividades físicas", disse Ometto, explicando que, quando esses dois fatores estão relacionados a um mesmo indivíduo, os resultados são extremamente prejudiciais à saúde. "Uma alimentação saudável com atividade física reduz o custo de saúde pública”, avaliou Ometto.

De acordo com o coordenador do CAL, Edmundo Klotz, as indústrias de alimentos já apresentam um compromisso com a conscientização de uma alimentação saudável, devido uma crescente demanda da população. “As indústrias de alimentos estão cada vez mais conscientes de que para ganhar novos mercados é preciso produzir com responsabilidade e respeito ao consumidor”, disse. “Acredito também que o programa Prazer de Estar Bem deveria ser adotado pelo governo e pela iniciativa privada”.

A ex-jogadora da seleção brasileira de basquete, Hortência de Fátima, explicou para alunos a importância de uma alimentação saudável. “Para me tornar a atleta que sou hoje, eu precisei comer alimentos que eu não gostava, mas tinha a consciência do quanto eles eram importantes para o meu desenvolvimento profissional e pessoal”, concluiu.

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