Programa de estágio forma jovens diferenciados para o mercado
Redes de Desenvolvimento Local desenvolvem competências humanas como inovação e empreendedorismo para uma educação transformadora
O jovem está comprometido com o lugar onde vive? O programa de formação de agentes de desenvolvimento local, iniciativa da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e do Serviço Social da Indústria (Sesi), conta com cerca de 100 universitários que respondem a essa pergunta. Buscando formar jovens profissionais atuantes, éticos, responsáveis, inovadores, empreendedores e capazes de dialogar - competências essenciais para qualquer área de atuação -, o programa visa investir na educação transformadora para torná-los agentes transformadores da realidade na localidade onde atuam.
“Os estagiários alcançam os resultados da rede junto com o desenvolvimento da comunidade e aprendem cada vez mais com as capacitações oferecidas. A formação, com certeza, é necessária. O mercado de trabalho vai procurar pessoas cada vez mais capacitadas com relação à responsabilidade social, e faculdade não forma esse tipo de profissional. É uma grande oportunidade”, explica Roberta Ribas da Silva, supervisora de um dos passos da metodologia. Trabalhando em 91 localidades em Curitiba e região metropolitana, o projeto pretende criar uma rede de pessoas conectadas entre si que una ao menos 1% da população de uma determinada localidade para trabalhar pelo seu desenvolvimento e torná-la protagonista desse processo.
A implementação das Redes de Desenvolvimento Local (RDL) se dá pela aplicação de uma metodologia específica, cujos resultados esperados são diferenciados pelas ações realizadas e almejadas conforme as características de cada localidade. Essa metodologia, criada pelo analista político Augusto de Franco, é composta por oito passos e é baseada no investimento em capital social, que se refere ao valor implícito das conexões internas e externas de uma rede social.
Cidades Inovadoras
Desde 2004 o Sistema Fiep vem debatendo formas de estimular o desenvolvimento econômico e social do Estado para dar sustentação ao avanço do setor industrial. Todo esse debate gerou diversos programas e ações que, em 2010, foram condensados na iniciativa Cidades Inovadoras, cuja ideia é que o crescimento da indústria de maneira inovadora e sustentável está intimamente associado à evolução do ambiente onde ela está inserida. Alinhadas a esses valores surgiram as Redes de Desenvolvimento Local, que iniciaram suas articulações em fevereiro de 2007 na cidade de Curitiba. Hoje as RDL estão presentes em 18 cidades em todo Estado, sendo 56 bairros em Curitiba e região metropolitana.
Mercado de trabalho
Buscando estimular o desenvolvimento local por meio da educação e formação de jovens universitários - agentes de desenvolvimento local (ADL) - o programa pretende promover espaços de aprendizagem e vivências que possibilitem o desenvolvimento individual e o empreendedorismo social.
A formação do ADL se dá pelas capacitações (80h/aula), oficinas de aprendizagem com os supervisores dos bairros e a vivência na comunidade – que oferece a prática dos conhecimentos teóricos e experiência que não se adquire em salas de aula, criando assim um potencial banco de talentos para o mercado de trabalho. “Essa é uma demanda emergente das empresas. Votorantim e Natura, por exemplo, estão buscando profissionais capazes de se relacionar com os diversos stakeholders, ou seja, todos os atores, do público externo ao interno, de interesse da empresa. E esse programa quer formar jovens com uma visão sistêmica e capazes de relacionar o conhecimento teórico com a prática”, explica Soraia Melchioretto, coordenadora do programa.
Veja os módulos de capacitação teórica que complementam as atividades junto às comunidade
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Módulo de capacitação |
Títulos |
Descrição |
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Módulo 1 |
Metodologia do Desenvolvimento Local e Conhecimento das Redes Sociais |
Introdução à metodologia das Redes Sociais, ancorado nas teorias de capital social como veículo da inovação e desenvolvimento. |
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Módulo 2 |
Vivência de Investigação Apreciativa |
Abordagem, diálogo e interação em dinâmica de grupo para construção das principais competências do novo agente, da comunidade e do projeto. |
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Módulo 3 |
Responsabilidade Social como opção individual e participação |
Discutir porque a participação individual é indispensável à efetividade institucional, especialmente nas relações entre Estado, Empresa e Sociedade. |
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Módulo 4 |
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - ODM e Análise e Interpretação de Indicadores |
Compreensão dos 8 objetivos do milênio, introdução ao acompanhamento e comparação dos Indicadores de Desenvolvimento do Milênio. |
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Módulo 5 |
Curitiba 2030 - Cidades Inovadoras |
Apresentar o projeto e os eixos estruturantes, como um movimento que apoia o surgimento e a multiplicação de novos atores sociais, articulados em rede e em busca de mais sustentabilidade visando sua cidade em 2030. |
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Módulo 6 |
Comunicação Empresarial |
Trabalhar as expressões oral e escrita e a identificação dos atores a quem a comunicação se destina, de modo a adequar o interesse e vocabulário para cada público. |
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Módulo 7 |
Módulo "Ser Integral" - Ecologia pessoal, social e planetária |
Iniciar o processo de transformação pela ecologia pessoal, priorizando a tomada de consciência do cidadão como constituinte e constituidor de todo o processo que ele está envolvido. |
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Módulo 8 |
Praticando a criatividade, o empreendedorismo e a inovação |
Dialogar através de intercambio de ideias os processos empreendedores, instigando e promovendo a criatividade pessoal como fator essencial na participação do novo agente inovador. |
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Módulo 9 |
Elaboração de Projetos de Desenvolvimento e Captação de Recursos |
Apresentar as etapas para criação de projetos de desenvolvimento, compreender editais e licitações para captação de recursos em prol do desenvolvimento social. |
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Módulo 10 |
Empreendedorismo Social |
Construir o conceito de Empreendedor Social, através do pensamento coletivo e integrado com foco na busca de soluções para os problemas sociais e necessidades da comunidade, almejando a transformação do setor social. |
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Módulo 11 |
CIFAL - City Share |
Através das temáticas Desenvolvimento Econômico Local e Urbanização Sustentável e Meio Ambiente, ampliar a capacidade dos atores locais em alcançar o desenvolvimento local sustentável, visando à troca de boas práticas entre participantes e da promoção de projetos de cooperação técnica descentralizada. |
Atuação na comunidade
Desde seu início, o programa já atingiu cerca de três milhões de pessoas em todo o Estado. No bairro Hauer, região sul de Curitiba, a rede foi o fator que impulsionou a união e interação entre moradores, resultando em ações planejadas e também que já estão em andamento no bairro, como o caso da Praça Alfredo Hauer, que após a mobilização dos moradores se tornou um lugar de lazer utilizado pela comunidade e cuidado por ela.
“Muitas pessoas possuem ideias, projetos para o desenvolvimento de seu bairro, mas faltam meios para que estas sejam conhecidas e discutidas por todos. Nesta hora é que a Rede de Desenvolvimento Local se torna o meio, o mecanismo para que isso seja possível, agregando pensamentos e ajudando a comunidade a executar seus objetivos”, conta José Maria Augustinho, comerciante no bairro Hauer e participante da rede do bairro.
A agente de desenvolvimento local do bairro, Adriana Alves Dias, também é moradora da localidade. “Quando faço a articulação e convido alguém para ingressar na Rede, digo a esta pessoa que a partir de agora ela faz parte da nossa rede de amigos. Além de unir as pessoas em prol da comunidade, é necessário criar laços entre elas para fortificar as nossas reivindicações e melhorar a convivência no bairro”, diz Adriana.
Crescimento pessoal
A supervisora de um dos passos da metodologia, Mariza Sander de Barros Carvalho, acredita que o crescimento pessoal e profissional vai muito além do voluntariado. “Nossos estagiários são transformadores, eles entram de um jeito e saem de outro. O trabalho está em mobilizar a comunidade, apreender com as dificuldades, buscar o diálogo, e o estagiário só ganha, pois adquire características que antes, podiam não ter”.
Para a agente de desenvolvimento da Cidade Industrial de Curitiba Viviane Mença, o trabalho nas Redes é uma experiência única. “É desafiador, e ao mesmo tempo, muito gratificante. É maravilhoso ver que uma comunidade tem vontade de melhorar e só precisava de uma ajuda para começar. A ajuda foi dada, e ela está indo atrás dos seus sonhos e eu fiz parte desse desenvolvimento”, conta orgulhosa. Para quem chega agora, as expectativas também são boas. “Acredito que a rede irá aprimorar os meus conhecimentos para diversas áreas e vejo que todos os estagiários crescem pessoalmente a aprendem com seu dia-a-dia”, diz Letícia Stevan, que iniciou o estágio em janeiro.
E essa transformação pessoal é sentida por estagiários, supervisores, e inclusive pela coordenadora do projeto. Soraia diz que se sente privilegiada em ter a oportunidade de trabalhar com jovens com perfil inovador, a chamada geração Y. Ela diz se surpreender sempre com eles pela possibilidade de diálogo, criatividade e inovação. “Aqui não trabalhamos com metas, mas razões pelas quais queremos aprender mais e trocar experiências”, finaliza.