Programa Comunidade Escola reduz índice de violência
Desenvolvido pela prefeitura de Curitiba, o programa Comunidade Escola – que consiste na abertura das escolas municipais durante os fins de semana para ofertar à comunidade oficinas e atividades de lazer - tem colaborado na redução dos registros de violência nos bairros da cidade. Isso tem ocorrido porque as atividades retiram das ruas os jovens e crianças que estariam propensos às práticas ilícitas, ao mesmo tempo em que incentiva o desenvolvimento social de cada uma das comunidades.
Embora não haja dados oficiais, os registros de roubo e vandalismo diminuíram em muitas escolas e em outras simplesmente não ocorreram mais. É o caso da escola Vereadora Laís Peretti - que aderiu ao programa desde sua implantação, no início deste ano, localizada no Pinheirinho. “Depois de participar do programa não registramos nenhum caso de arrombamento, roubo e depredações, com os quais sofríamos quase semanalmente”, conta a diretora Eduméia Coelho Silva.
O Comunidade Escola foi aplicado em caráter experimental no mês de maio deste ano em nove escolas municipais e tomou grandes proporções em um curto espaço de tempo. Até ser lançado oficialmente, em agosto, quando o projeto recebeu apoio da Unesco, foram movimentadas cerca de 50 mil pessoas. Atualmente, 31 escolas e mais sete Faróis do Saber abrem suas portas aos sábados e domingos, das nove às 17 horas, para promover a saúde, empreendedorismo, cidadania, esporte e cultura. A aprovação da comunidade se traduz em números. Até o final do mês passado foram registradas 132.262 participações.
Escola organiza até mesmo casamento coletivo com 320 casais
A diretora da escola Olívio Soares Sabóia, localizada no CIC, Jucélia Carmen da Silva Pilotto, diz acreditar que a escola é da comunidade: “O programa faz com que muitas pessoas vejam que a escola também é delas”. Sabendo disso, a escola Maria Marli Piovezan, no Cajuru, organizou recentemente um casamento comunitário para 320 casais que usufruíram desde os serviços de maquiagem até a festa, com direito a um bolo de 30 metros .
Outro benefício gerado é a atualização profissional. A diretora Eduméia Coelho Silva relata que a experiência tida em sua comunidade com a oferta do curso de porteiro pela Fundação de Ação Social (FAS) foi positiva. “Muitos já estão com emprego encaminhado. Outros, inscritos nos cursos de manicure e biscuit, ministrados por voluntários, conseguem aumentar a renda familiar e obter maior qualidade de vida”. A ampliação das oportunidades de qualificação profissional para o mercado de trabalho e também o incentivo ao empreendedorismo está em estudo pela coordenação do projeto e a FAS.
Objetivo é implantar programa em 106 escolas
A meta, segundo a coordenadora do projeto, Liliane Casagrande Sabbag, é implantar, até o final de 2006, o Comunidade Escola em 106 das 167 escolas municipais existentes na cidade. Mas, isso depende da aprovação do orçamento pela Câmara dos Vereadores. “Segundo um estudo realizado pelo nosso departamento de informação, basta a aplicação do projeto em 106 escolas para atingir toda a população curitibana”, conta ela.
Para escolher as escolas participantes alguns critérios foram estabelecidos, como a prioridade às comunidades carentes de espaços e atividades de lazer, que apresentem alto risco social e que possuam capacidade de comportar a demanda de pessoas.
O projeto, que envolve todas as secretarias da prefeitura na realização de oficinas e palestras esclarecedoras sobre seus direitos e deveres, deve ganhar força no próximo ano com a formação de grupos de discussão. “A intenção é reunir a comunidade para discutir os seus problema e ajudar a prefeitura a solucioná-los”, diz a coordenadora.
As escolas participantes do projeto só devem fechar as portas nos feriados de Natal, nos dias 24 e 25, e ano novo, dias 31 e 1.º, e permanecem com a sua programação normal durante os meses de férias.