13/05/2008

Professores visitam alunos e notas sobem

Por Vivian Lobato, do Aprendiz

"Invertemos a idéia de estimular a vinda da família para a escola. Levamos a escola para a família". A explicação é do secretário de Educação Cultura Ciência e Tecnologia da cidade de Taboão da Serra, localizada na Grande São Paulo, Cesar Callegari, que implementou o Programa Interação Família e Escola.

A principal idéia do projeto é estimular os professores a visitarem a casa dos alunos. Dessa forma, eles conhecem as diferentes realidades vividas pelos estudantes e desenvolvem junto às famílias planos pedagógicos para a educação dos jovens.

Aplicado desde 2005 no município, o programa conseguiu diminuir a evasão e a repetência, além de melhorar o desempenho do ensino municipal. Numa escala de 0 a 100, os alunos visitados em casa pelos professores tiveram nota em torno de 70 em português e matemática - a média é parecida entre os da 2ª e os da 4ª séries. Entre os não visitados, as notas oscilam de 40 a 50 pontos. A ação já atendeu mais de 25 mil alunos de 4 a 14 anos, por meio das visitas de 600 professores das 45 escolas envolvidas.

"Acho o programa muito bom para integrar a família e a escola", diz o motorista de táxi Roberto Franco, pai de Giovana, 8, Victória, 6 e Isabella, 4, que já teve sua casa visitada pelo projeto.

Segundo o secretário, todos os alunos do ensino fundamental e infantil recebem a visita, independente das notas e rendimento escolar. "As visitas são muito produtivas, são como uma janela para o mundo da criança", explica.

Mais do que ampliar o relacionamento da escola com a família e a comunidade e proporcionar uma educação de qualidade, o programa consegue estabelecer um forte vínculo com os alunos e aumenta a participação dos pais no processo educativo.

"Com as visitas, os professores procuraram identificar no ambiente familiar as raízes das dificuldades de aprendizagem de cada aluno. Além disso, eles compreendem as condições de vida de cada família e conseguem ajustar as metodologias educacionais a cada realidade", comenta o secretário.

Metodologia

Os professores organizam as visitas a partir de um pré-diagnóstico de cada aluno, levando em conta hábitos escolares, atitudes em sala de aula, freqüência, habilidades e dificuldades, para elaborarem junto aos pais um plano pedagógico que desenvolva as potencialidades da criança.

A participação de pais e familiares nos afazeres do cotidiano escolar da criança. As condições de moradia que afetam os progressos na aprendizagem, como a falta de local para realização de tarefas. A ausência dos pais no cotidiano das crianças. A pouca orientação para administração do tempo. Os hábitos, a saúde e o bem-estar físico e emocional da família. Todas essas são questões levantadas durante as conversas entre pais e professores.

As visitas são agendadas e realizadas aos sábados, domingos e feriados e também nos contra-turnos da jornada de trabalho. Nelas, os professores procuram manter um diálogo aberto, ouvir e orientar os pais. Os visitadores também levam os telefones das áreas de assistência social, saúde, esporte e cultura do município, para futuros encaminhamentos.

"Os professores são recebidos pelas famílias sempre com muito carinho. Muitas mães preparam bolos, separam fotos da criança, passam um cafezinho. O objetivo da visita é estabelecer um vínculo entre família e escola. Para isso, os professores visitadores criam um clima informal na casa dos alunos, não levam prancheta e não anotam nada. A idéia não é realizar uma pesquisa, ou uma análise, e sim uma conversa", ressalta Callegari.

"O sucesso do programa despertou o interesse da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que irá patrocinar um projeto piloto do Interação Família e Escola em oito capitais brasileiras", finaliza Callegari.


(Envolverde/Aprendiz)

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