Professores e médicos serão treinados para identificar problemas de visão em jovens
Por Valtemir Rodrigues
Brasília - Esta semana, 200 professores e médicos vão receber orientação sobre como identificar jovens com doenças dos olhos. O Instituto Benjamim Constant, do Ministério da Educação, vai promover no Rio de Janeiro, a 1ª Jornada de Baixa Visão, para discutir a prevenção da cegueira na infância, a inclusão do aluno de baixa visão e a importância da família no processo educativo.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 59% dos problemas de visão podem ser tratados ou prevenidos quando descobertas na infância. A diretora do Instituto Benjamim Constant, Glória Almeida, diz que esse índice é muito alto e lembra que a criança com alguma patologia precisa ser ensinada a aproveitar o resíduo visual que tem.
Glória Almeida explica que os problemas de visão podem causar dificuldade no aprendizado e desinteresse, prejudicando o desempenho escolar. Para ela, o professor precisa estar atento a isso. “Quantas vezes escutamos professores dizendo que a criança não quer nada, que ela é preguiçosa. Muitas vezes a criança não rende, não porque não queira, mas porque realmente não está enxergando o suficiente”, lembra.
A professora Ivoli Duarte, de Camboriú (SC), vivenciou como a percepção da deficiência visual pode fazer diferença no comportamento e no desempenho escolar dos alunos. Segundo ela, na escola onde lecionava havia estudantes com problemas de comportamento e de notas. Depois que eles passaram por um teste visual, descobriu-se que a causa dos problemas era a falta de óculos.
“Lá onde eu trabalhava realmente tinha muitas crianças com deficiências visuais. Faltavam à escola, muitas vezes, devido a não ter um bom rendimento, não participavam das atividades e não queriam ir pra escola. Quando foi feito o exame e entregues os óculos, houve melhora não só do rendimento escolar, mas também na auto-estima e na interação com o grupo todo”, explica.
A jornada prevê a discussão de 17 temas, entre eles a utilização de materiais didáticos especializados e a contribuição da informática para o melhor desempenho dessas crianças. Inicialmente serão orientados profissionais do Rio de Janeiro e São Paulo que participam do encontro e a idéia do Instituto é promover o evento em outras partes do país.
O Instituto Benjamim Constant presta atendimento a deficientes visuais há 152 anos. A instituição treina profissionais, assessora escolas e instituições, realiza consultas oftamológicas à população, reabilita pacientes, produz material especializado, impressos em Braille e até publicações científicas.