20/10/2009

Professores ainda estão despreparados para lidar com diversidade sexual, alerta Marisa Serrano

Por Cláudio Bernardo, da Agência Senado

 

Grande parte dos professores brasileiros ainda não possui formação adequada para lidar com a diversidade sexual dos alunos no cotidiano escolar. Com um agravante: as faculdades de pedagogia não tratam a questão da homossexualidade em profundidade, o que agrava ainda mais o problema.

A afirmação é da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) e foi feita nesta quarta-feira (21) na abertura do seminário Diversidade nas Escolas: Preconceito e Inclusão, promovido pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

O senador Romeu Tuma (PTB-SP) defendeu que o respeito humano e a luta contra a homofobia ganhem maior espaço nas escolas, enquanto o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) observou que acabar com o preconceito contra orientação sexual nos estabelecimentos escolares passa pela melhoria da educação em todo país.

O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, concordou e disse que, de acordo com recente pesquisa, cerca de 60% dos professores não sabem lidar com esse segmento da sociedade na sala de aula.

A pesquisa revela ainda que 40% de meninos e meninas não gostariam de estudar com gays, lésbicas ou transexuais, e que 35% dos pais não se sentiriam à vontade se os seus filhos estudassem com membros da comunidade LGBT.

Toni Reis reconheceu, entretanto, que já houve avanços contra o preconceito sexual no país, a exemplo do programa do governo federal denominado "Brasil sem Homofobia". Mas defendeu a aprovação do projeto de lei (PLC 122/06) que pune quem praticar qualquer tipo de discriminação em razão da orientação sexual.

Preconceito

Para a coordenadora de Pesquisa da Rede de Formação Tecnológica Latino Americana, Miriam Abramovay, a principal discriminação dentro dos estabelecimentos escolares está ligada à homofobia. Fora das escolas, segundo acrescentou, a realidade não é diferente, porque nada menos do que 50% dos jovens, ouvidos em recente pesquisa, não gostariam de ter homossexuais como vizinhos.

Já o diretor da Pathfinder do Brasil, Carlos Laudari, exemplificou o preconceito contra os homossexuais ao recordar um fato que considerou chocante: um menino de oito anos de idade, considerado gay, foi jogado dentro de uma lata de lixo por seus colegas de escola.

A coordenadora geral de Direitos Humanos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, Rosiléia Maria Wille, destacou ações do governo destinadas a promover a inclusão social da comunidade LGBT, a exemplo do programa "Escolas sem Homofobia".

Já o coordenador do Programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para HIV/AIDS, Pedro Chequer, informou que o organismo internacional preocupa-se com o problema e chegou a publicar um guia que, em um de seus capítulos, discute a sexualidade e o preconceito sexual já a partir dos cinco anos de idade, incluindo doenças sexuais, o que considera positivo.

No entender da diretora do Programa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Maria Elisabete Pereira, o Brasil não encara de frente o problema da temática da diversidade, a exemplo do que ocorre em outros países, mas reconheceu que houve alguns avanços. E pediu a realização de audiências públicas em todos os estados, com a presença dos secretários de Educação, para aprofundar o tema.


(Envolverde/Agência Senado)
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