10/04/2012

Professora Nazaré Otília Nazário organiza livro sobre queimaduras

Obra de Nazaré Nazário, lançada pela Editora Unisul, teve a parceria do presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras

O presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, dr. Dilmar Leonardi, estará no dia 11 de abril em Palhoça, na Grande Florianópolis, para a solenidade de lançamento do livro Queimaduras: Atendimento Pré-Hospitalar, organizado em parceria com a professora do curso de Medicina da Unisul, dra. Nazaré Otília Nazário. Também confirmaram presença no evento, que inicia às 19h no auditório da Unisul Grande Florianópolis, a vice-presidente da SBQ, dra. Maria Cristina Serra, e o presidente da Federação Latinoamericana de Queimaduras, dr. Alberto Bolgiani.

No Brasil, um milhão de pessoas são vítimas de queimaduras a cada ano. “Quando o trauma envolve queimaduras, o prognóstico está diretamente associado à forma como foi prestado o primeiro socorro. Com um primeiro atendimento especializado e multiprofissional, é possível tanto amenizar o sofrimento do paciente nos momentos seguintes ao acidente quando reduzir as sequelas funcionais da vítima, daí a importância de disseminarmos e multiplicarmos estes conhecimentos”, avalia dr. Leonardi, que este ano vai trazer para Florianópolis um grande evento internacional nesta área.

Para o Coordenador do curso de Medicina no campus Grande Florianópolis e ex-Secretário de Estado da Saúde, dr. João Guizzo Filho, o tema eleito define por si só a relevância da obra. “As questões do ensino, da pesquisa e da assistência não podem correr desvinculadas, por isso a universidade apostou nesta parceria”, destaca. “O livro vem ao encontro dos anseios dos estudantes e dos próprios profissionais da Saúde, em especial os que prestam o primeiro socorro ao queimado e as equipes de Saúde da Família”, completa.

Organizado em 13 capítulos, o livro revisa o atendimento pré-hospitalar na atualidade, não apenas fornecendo informações técnicas, mas, também, abordando aspectos inerentes a qualquer serviço de urgência, como a história, a legislação, a ética e o cuidado humanizado. “Assim, a obra pretende contribuir e, quem sabe, oferecer elementos para se pensar na sistematização do atendimento pré-hospitalar das vítimas de queimaduras, sem esquecer que tão importante quanto a capacitação dos profissionais envolvidos é a conscientização da população para a prevenção destes traumas”, defende a autora, que é doutora em Enfermagem.

Na solenidade de lançamento, o presidente da SBQ também anunciará a realização do oitavo Congresso Brasileiro de Queimaduras em Florianópolis, de 10 a 13 de outubro. Quase 200 palestrantes da Suíça, Áustria, República Tcheca, Estados Unidos, Austrália e vários países da América do Sul já confirmaram presença no evento, que além das conferências com tradução simultânea, mesas-redondas e feira de produtos, engloba o primeiro Simpósio Internacional Wound Care e o Curso Internacional de Reabilitação em Queimaduras - Máscaras de Compressão e Talas Termoplásticas, ministrado pela Organização Internacional Physicians for Peace.

DADOS DRAMÁTICOS
No Brasil, dois terços dos acidentes envolvendo queimaduras são protagonizados por crianças, que passam a conviver com as sequelas, estéticas e funcionais, para o resto de suas vidas. “Isso justifica investimentos, parcerias e iniciativas cada vez mais maciças em campanhas de prevenção das queimaduras na infância, em especial porque, em 80,7% dos casos, um dos pais estava presente no local do acidente, mas não estava alerta para o risco daquela situação”, defende o presidente da SBQ, dr. Dilmar Leonardi.

Para o cirurgião pediátrico do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, e presidente do Congresso Brasileiro de Queimaduras, dr. Mauricio Pereima, a liberação da venda do álcool líquido agrava ainda mais a situação. A combustão resultante de um litro de álcool etílico hidratado libera 4800 Kcal, quantidade de calor suficiente para elevar a temperatura da pele em nível de produzir destruição celular irreversível. Ou seja, apesar de ser vendido em qualquer supermercado e, quase sempre, ser armazenado em casa sem nenhum critério de segurança, o álcool líquido, quando inflamado, provoca a coagulação do protoplasma celular, com consequente morte dos tecidos de forma quase instantânea.

“Em Florianópolis, uma pesquisa realizada no período em que a venda de álcool líquido foi limitada no Brasil, apontou uma redução de quase 30% nos casos de queimaduras infantis, se considerarmos a diminuição da incidência e da abrangência das lesões”, destaca Pereima. “O Brasil é o único país no qual o álcool se sobressai como agente causal de queimaduras. Seu mal uso acarreta quase 20% do total de ocorrências do gênero e isso é vergonhoso, pois a literatura científica internacional nem mesmo menciona o álcool como causa de lesões térmicas em outros países”, completa.

Segundo artigos publicados na Revista Brasileira de Queimaduras, além da presença de adultos no momento do acidente, ainda chama a atenção o fato de que, quase sempre, a criança estava em ambiente doméstico quando o trauma ocorreu, o que reitera a necessidade de maior preparo dos pais ou responsáveis sobre as medidas capazes de prevenir queimaduras na infância. Análises realizadas em unidades de queimados em vários hospitais pediátricos mostram que os acidentes ocorreram em ambiente intradomiciliar em 84,6% dos casos, no Hospital Universitário de São Paulo, em 66% dos casos em um hospital de referência no Estado de Goiás, e em 74% dos casos entre as crianças internadas no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

“As zonas de maior risco são a cozinha e o pátio da casa”, alerta Pereima, que aponta o escaldamento como grande vilão destes traumas. A causa mais frequente de queimaduras em crianças é o líquido aquecido, especialmente quando os pais deixam o cabo das panelas à vista enquanto cozinham, o que desperta a curiosidade das crianças mais pequenas. “Em média, metade dos casos de queimaduras na infância são provocados por líquido aquecido, um dado dramático que poderia ser revertido com maior atenção e comprometimento de quem está responsável por uma criança”, defende o cirurgião. Apesar de todos os avanços nos tratamentos, as queimaduras se mantêm entre as principais causas externas de morte registradas no Brasil.

Cilene Macedo - JP02323
Assessoria de Imprensa
C&M - Comunicação e Marketing da Unisul
Unisul – Universidade do Sul de Santa Catarina
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