10/03/2021

Professor que não Lê

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

 

Este texto me permitirá falar na primeira pessoa, pois quando eu ministrava a disciplina de Metodologia Científica em uma universidade particular, uma das primeiras aulas era fazer uma redação intitulada quem não lê não escreve.

Esta é uma máxima que precisamos assimilar, principalmente nós educadores, temos que ter o bom senso em adquirir o hábito de leitura para fomentarmos o mesmo nossos alunos.

Precisamos ser exemplo e não ficarmos apenas com cobranças sem conhecimento de causa, pois segundo Bandoni em seu texto Quando o professor não lê, publicado na Nova Escola[1], muitos professores defendem a ideia que a leitura teria que ser a principal prioridade da escola, todavia o autor levanta o seguinte questionamento: será que esses professores, eles próprios, leem?".

Bandoni cita uma pesquisa realizada em 2015 pelo Instituto Pró-Leitor e o Ibope, e segundo o mesmo, e a pesquisa conhecida como Retratos da Leitura no Brasil joga luz sobre a pergunta levantada acima, e desta forma concluiu-se que "dos 1.680 professores entrevistados, 6% declararam que não gostam de ler e 31% que gostam só um pouco.

Pelos critérios da pesquisa, 16% foram considerados não leitores, já que não leram uma parte de um livro nos últimos três meses. Outros 3% não tinham sequer um livro em casa", ou seja, parte significativa dos professore não lê e obviamente sequer tem autoridade para exigir de seu aluno uma leitura.

Tokarnia complementa as falas acima com seu texto intitulado Menos da metade dos professores da rede pública leem no tempo livre, publicado em 2013[2], ao esclarecer que "o número de professores que não leem é chocante". Todavia a autora defende a classe ao ponderar que, uma professora de educação básica ganha 40% menos que um professor universitário e acrescenta que faltam políticas de incentivos.

Se observarem a pesquisa de Tokamia, notarão que a mesma refere-se há um pouco mais de 8 anos, e que o fato de um livro ser caro para nós hoje, não é um atenuante para que o professor não leia, já que muitos contam com acesso a internet e a mobilidade para que a leitura aconteça.

Como comentado em meu livro Educação um Ato Político, publicado pela Autografia em 2019, a educação de qualidade deverá perpassar pela leitura, instigando seus discentes a cidadania, protagonismo cognoscente, criticidade, humanismo e a socialização.

Com isso, pode-se perceber que falta um pouco de força de vontade e principalmente profissionalismo por parte do educador, já que este tem que ser no mínimo um exemplo vivo do que busca ensinar.

Como dizia Monteiro Lobato, "quem não lê, mal fala, mal ouve e mal vê", e podemos também acrescentar mal escreve.

Dito isso, pode-se afirmar nas falas de Jonh Deere ao elucidar que "jamais colocarei o meu nome em um produto que não tenha em si, o melhor que existe em mim", e para nós educadores darmos o nosso melhor, não poderemos em hipótese alguma, abdicarmos da leitura, seja ela prazerosa ou por dever moral e/ou profissional, para que desta forma seja efetivado o compromisso com a educação de qualidade.

 

 

[1] Para mais informações vide
https://novaescola.org.br/conteudo/11843/quando-o-professor-nao-le#:~:text=Dos%201.680%20professores%20entrevistados%2C%206,sequer%20um%20livro%20em%20casa.

[2]Para mais informações vide https://educacao.uol.com.br/noticias/2013/02/05/menos-da-metade-dos-professores-da-rede-publica-leem-no-tempo-livre.htm?cmpid=copiaecola

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