11/03/2006

Professor da USP discute as influências na inteligência

Por Daniel Milazzo

Afinal, já nascemos inteligentes? Ou somos capazes de desenvolver nossa inteligência ao longo da vida? Os ambientes dos quais fazemos parte e as nossas experiências podem influenciar nosso crescimento intelectual? Questões como estas são discutidas pelo professor José Aparecido da Silva no livro “Inteligência: Resultado da Genética, do Ambiente ou de Ambos?”, publicado recentemente pela Editora Lovise.

Professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, o psicólogo José Aparecido da Silva faz um retrospecto histórico das idéias debatidas sobre inteligência e recupera algumas teorias de antigos pensadores. Ele também analisa os mecanismos de quantificação da inteligência, como o conhecido teste de Quociente Intelectual (QI) e suas variações.

Mas a discussão principal do livro já está clara em seu título. Silva se aprofunda na discussão entre quais dos fatores exerce maior influência sobre a inteligência – a carga genética ou o ambiente no qual cada indivíduo está inserido. Ele afirma que nossa inteligência carrega uma forte herança genética, e que essa “herdabilidade” cresce ao longo da vida. Em um bebê a taxa de herdabilidade que constitui sua inteligência está em torno de 40%; na adolescência a taxa sobe para cerca de 60%; na fase adulta este número varia de 80% a 90%. Dessa forma, o autor argumenta que ambos fatores são determinantes, mas reforça que a participação da genética supera a do ambiente.

O autor explica em seu livro que existem dois tipos de ambiente: o compartilhado e o não-compartilhado. O primeiro é em geral determinado pelos padrões familiares, e este perde sua influência à medida que o indivíduo passa a ser mais independente e se desprende dos pais. Enquanto isso, o segundo pode ser classificado como as experiências pessoais, que são específicas de cada indivíduo, e possuem influência maior do que o ambiente compartilhado na inteligência. Mesmo se analisarmos o caso de irmãos gêmeos que já trazem informações genéticas idênticas, vivem no mesmo lar e estudam na mesma escola, cada um terá sua própria experiência, fará suas próprias amizades, ou seja, cada um terá influências distintas em sua inteligência.

Silva deixa claro que existe uma distinção entre inteligência e habilidades. De acordo com o psicólogo a inteligência é inata, nascemos com ela e não podemos a ampliar, ao contrário das habilidades (como jogar xadrez, aprender um idioma, praticar um esporte), as quais podem ser aprimoradas ao longo da vida.

“Inteligência: Resultado da Genética, do Ambiente ou de Ambos?” é um livro destinado a estudantes, professores e especialistas, mas está escrito em linguagem acessível também ao leitor comum que tenha algum interesse pelo assunto.

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×