Professor aprende a lidar com superdotado
Por Talita Bedinelli, do PNUD
Docentes da rede pública vão participar de cursos para identificar alunos com habilidades especiais e saber como estimulá-los.
Um curso organizado pelo MEC (Ministério da Educação) vai ensinar professores do ensino básico da rede pública a identificar alunos superdotados. A idéia é estimular os docentes a desenvolver projetos nas áreas em que os alunos se destacam — que podem ser desde educação física até ciências — e reforçar o currículo para que eles não percam o interesse pelo conteúdo ensinado. A falta de atenção a esse tipo de estudante, segundo o MEC, pode fazê-lo abandonar a escola.
“Quando o aluno não é valorizado e o professor o manda passear, ir para biblioteca, porque ele já sabe determinado conteúdo, ele perde o interesse, e isso pode chegar à evasão escolar”, diz a assessora técnica da Coordenadoria de Desenvolvimento da Educação Especial, Renata Maia Pinto. “Pesquisas que estão sendo feitas nessa área indicam que o aluno vai se tornando apático, bagunceiro, e pode acabar desistindo das aulas”, completa.
A capacitação vai acontecer inicialmente em dois municípios e envolverá cerca de 50 professores em cada turma. Serão priorizados o Norte e o Nordeste. “São essas regiões que contam com menos especialistas. As universidades estão começando a pesquisar sobre o tema e os professores têm mais dificuldade de conseguir informações nessas áreas”, destaca a assessora. Entre 26 de fevereiro e 2 de março, o curso será feito no Recife e entre 12 e 16 de março, em Macapá. A capacitação será ministrada pela Universidade de Brasília.
No curso, os professores serão orientados sobre as características do aluno superdotado e sobre o conceito usado pelo MEC para identificar esses estudantes: eles devem ter uma grande facilidade de aprendizagem que os ajuda a dominar rapidamente os conteúdos. “Geralmente, o aluno [superdotado] se destaca em alguma coisa. Ou ele corre muito bem, ou tem um vocabulário apurado e idéias boas para escrever redações. Às vezes, em matemática e ciências, por exemplo, ele pode ir até à frente do professor”, diz Renata.
Os docentes aprenderão também novas formas de trabalhar com esses alunos em sala de aula. As atividades vão desde o enriquecimento curricular, com a inserção de conteúdos mais aprofundados para o estudante, até o desenvolvimento de projetos de pesquisa que contem com o apoio de universidades. Além disso, eles receberão orientação sobre como envolver a família dos alunos. O conteúdo terá como base uma coleção de livros, criada para a formação dos professores.
A iniciativa é apoiada pelo PNUD, por meio por meio do Programa de Expansão e Melhoria da Educação Especial. Ela conta ainda com a formação de Núcleos de Atividades de Altas Habilidades, que foram criados em 2005 em todos os Estados. Eles oferecem apoio a estudantes superdotados e suas famílias e auxiliam os professores a atenderem esses estudantes. (PrimaPagina)