Primeiro grupo de brasileiros embarca para universidades russas
Em Moscou, os estudantes serão recepcionados pelo embaixador brasileiro na sede da Embaixada do Brasil na Rússia
O primeiro grupo organizado de brasileiros que vai estudar nas melhores universidades da Rússia embarca de São Paulo para Moscou, São Petersburgo e Bélgorod na segunda-feira (3). São 30 estudantes, de 18 diferentes cidades do país, que vão para a Rússia cursar graduação e pós-graduação em medicina, Engenharia Espacial e Mecânica, Relações Internacionais e Jornalismo em destacadas universidades como a Academia Médica Sechenov e Universidade Politécnica de São Petersburgo.
Criada há seis anos em Lima, no Peru, e atuando no Brasil desde janeiro, a Associação Latino-americana Russa de Estudos Superiores (ALAR) é a representante oficial para a América Latina das principais universidades públicas da Rússia. Ela é responsável pela seleção dos candidatos, processo de orientação na escolha da faculdade, obtenção da documentação necessária, inscrição na universidade escolhida e assessoria durante a viagem até a chegada do estudante ao seu local de destino.
Reconhecido mundialmente com um centro de excelência em ensino superior, a Rússia atrai também pelo baixo custo dos estudos. Por ser parcialmente subsidiado pelo Estado, o valor é consideravelmente mais barato se comparado com outras instituições mundiais, ou mesmo com universidades particulares brasileiras. Uma outra vantagem, os estudantes estrangeiros têm vagas preferenciais. Se o interessado atender a todos os requisitos, ele entra na universidade sem vestibular, diferentemente dos concorrentes russos.
A mineira Cristíne Paula de Andrade, 20 anos, chegou a cursar três semestres de medicina de uma faculdade particular de Belo Horizonte. "O diploma de uma universidade reconhecida mundialmente vai me ajudar muito na carreira. Mesmo com a distância e a saudade, sei que vai valer a pena" admite. Cristíne vai para a Academia Médica Sechenov de Moscou (MMA), considerada pela UNESCO a segunda melhor faculdade de medicina do mundo.
A possibilidade de seguir a carreira diplomática foi o que atraiu o sorocabano Francisco Simone Neto, de 21 anos. Ele vai para São Petersburgo cursar Relações Internacionais. "Sempre tive vontade de ser diplomata e, além da formação acadêmica, o intercâmbio vai me favorecer para isso", argumenta. Autodidata, ele fala onze línguas.
Na Rússia, os alunos iniciam seu processo de intercâmbio freqüentando a Faculdade Preparatória, onde se aprende o idioma local. O tempo de permanência na FP depende de cada um, variando de sete a dezesseis meses. "Nunca tivemos caso dos estudantes não se adaptarem ao idioma. O estudo integral e a convivência facilitam o aprendizado", afirma Anatoli Gatsalov, presidente da ALAR no Brasil.
Como em qualquer faculdade feita no exterior, o estudante que fizer a graduação na Rússia vai ter que passar pelo processo de reconhecimento em uma universidade do Brasil. A partir de 2010, os diplomas das universidades russas vão passar a ser reconhecidos em toda União Européia (o chamado Diploma único de estudos superiores da Europa). A ALAR já tem convênios de cooperação com a FAAP e já começaram as conversas com UFRJ, USP e outras instituições de destaque.