19/10/2007

Porte da cidade influência o tipo de intercâmbio

Por Julia Dietrich, do Aprendiz

Jovens que decidem partir para intercâmbio certamente estão em busca de conhecer e experimentar outras culturas. Porém, não é só mudar temporariamente de país que determina qual realidade o intercambista será convidado a experimentar. Assim como o Brasil, os Estados Unidos reúnem diversas cidades de diferentes tamanhos: das pequeninas com até 10 mil habitantes, às megalópoles como Nova Iorque, Los Angeles e Miami. Ainda refúgio preferido de intercambistas brasileiros, os EUA oferecem um pouco de tudo: da qualidade de vida e segurança das vilas ao agito e fervor cultural dos grandes centros.

Para a coordenadora pedagógica da CI, Tereza Fulfaro, tradicionalmente os jovens que partem para os EUA para cursar os programas de High School, equivalentes ao Ensino Médio brasileiro, são conduzidos para cidades pequenas e não decidem para qual cidade irão. "A questão da segurança é importante e mais ainda, os que partem para esse tipo de programa vão conhecer realmente o cotidiano do norte-americano de classe média", diz. Segundo ela, as famílias suburbanas são as que têm maior interesse em receber intercambistas, pela riqueza da experiência e a possibilidade de troca cultural.

Enquanto isso, jovens maiores de 19 anos, que escolhem programas de aprendizado de língua, podem escolher em qual cidade ficarão hospedados. "Nessa experiência, o jovem acaba encontrando pessoas de diferentes locais do mundo e tem mais acesso à vida cultural das metrópoles", observa Fulfaro, insistindo no caráter cosmopolita do tipo de viagem. Porém, justamente pelo grande contingente populacional, o estudante acaba não vivendo o cotidiano tradicional das famílias tradicionais dos EUA.

O comprador de moda, Felipe Filizola, teve o melhor das duas opções, pois aos 16 anos viveu em Winchester, pequena cidade do estado da Virginia, mas que está a apenas uma hora de trem de Washington, onde se encontra a Casa Branca, residência oficial da presidente do país. "Na minha cidade tinham aqueles restaurantes tradicionais americanos como o Friday’s e o Rooter’s. Mas, para sair a noite e fazer outros programas, ia com a minha irmã americana no fim de semana para Washington", lembra.

Para Fulfaro, a experiência de viver em uma cidade pequena, no começo, pode gerar incômodo para o brasileiro. "O modo de vida é bastante diferente. As festas começam às 19 e acabam às 22 horas. Não existe a história de ir para balada em um ‘school day’ (dias de aula)", disse. Filizola conta que como estudou em uma escola católica, a chance de programas noturnos com os colegas era ainda mais rara. "Na minha escola não tinham punks, góticos etc. Todo mundo era obrigado a andar padronizado", observa, lembrando que seu irmão que fez intercâmbio para a mesma cidade, só que estudou em escola pública teve uma experiência diferente. "Ele estudou com todos os tipos de pessoas. O meu exemplo é bastante particular por eu ter estudado em uma escola privada", complementa.

A designer Mariana Cunha passou por situação semelhante. Entre os 17 e 18 anos morou em Freemont, na Califórnia, a também apenas uma hora de trem de São Francisco. Como não viajou por meio de nenhuma agência de intercâmbios, a jovem ficou com quatro famílias diferentes, passando um mês com cada uma delas e o resto do ano com a primeira ‘mãe’ que a recebeu e que era amiga da família. "Foi uma experiência muito interessante, pois acabei conhecendo bem os hábitos do americano, em diferentes situações familiares", pontua.

Tanto Filizola, quanto Cunha justificam maior liberdade para o jovem das cidades pequenas. "Meus pais daqui e de lá ficavam mais tranqüilos sabendo que tudo era perto e com bastante segurança", conta o rapaz. "Embora os estabelecimentos fossem distantes um dos outros, era muito tranqüilo andar a pé e de ônibus. Em todo tempo que passei por lá, não ouvi nenhuma notícia de que algum crime tivesse acontecido", lembra Cunha.

A coordenadora pedagógica da CI conta que é intenção das próprias organizações parceiras que os estudantes fiquem em cidades mais seguras. O analista de sistemas, Fábio Brunetti Falci, que morou por um ano em Saint Louis, grande cidade do estado do Misouri, conta que teve uma ótima experiência na cidade grande. "Embora fosse uma cidade mais do interior dos Estados Unidos, tinha uma vida cultural bastante rica e uma excelente infra-estrutura", conta. Ele, inclusive, tirou sua licença de motorista de graça e praticou esportes na escola de forma profissional. "Eles realmente investem no estudante, embora eu tenha achado o ensino bastante fraco", pondera.

Porém, independente de terem morado em cidades grandes ou pequenas, os três jovens avaliam a experiência do intercâmbio como diferenciais em suas vidas. "Ter conhecido uma outra cultura, morado fora da minha casa e do meu cotidiano foi super importante. Além disso, aprendi outro idioma", conclui Cunha.


Crédito da imagem: Embrapa
(Envolverde/Aprendiz)

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