Planos para a casa nova
Por Thiago Romero
Agência FAPESP - Os recursos iniciais de implementação estão garantidos pelo governo do Estado de São Paulo e as obras devem começar no primeiro semestre. A meta é oferecer 1 mil novas vagas até 2010, nos cursos divididos em cinco grandes áreas do conhecimento. Os primeiros alunos deverão chegar em 2007.
O novo campus da Universidade Estadual Paulista (Unicamp), em Limeira, aprovado por unanimidade no final do ano passado pelo Conselho Universitário (Consu) da instituição, está prestes a sair do papel. Segundo diz o reitor José Tadeu Jorge, em entrevista à Agência FAPESP, “o projeto é uma realidade”.
Fazer da pesquisa científica o principal elemento qualificador de ensino, ter disciplinas comuns nos dois primeiros anos de cada área do conhecimento, um laboratório que pretende aproximar os alunos da sociedade e a contratação de novos docentes estão entre as novidades abertas com o novo campus no interior paulista.
Agência FAPESP - Como surgiu a idéia de criação de um novo campus para a Unicamp?
José Tadeu Jorge - Em 2001, entrou em vigor um programa de expansão de vagas nas três universidades estaduais paulistas. Desde então, a Unicamp já criou 900. Passamos de 2.355 vagas anuais em 2000 para 3.255 em 2005. Além de discutirmos como seria possível abrir mais vagas, foi preciso decidir também onde iríamos abrigar os novos alunos. Como a Unicamp dispõe de uma propriedade de 500 mil metros quadrados em Limeira, o Conselho Universitário criou um grupo de trabalho para estudar a viabilidade de um campus. Depois de algumas reuniões, o projeto foi aprovado por unanimidade no dia 20 de dezembro.
Agência FAPESP - Qual o orçamento disponível para a viabilização desse projeto?
Tadeu Jorge - O orçamento anual da Unicamp foi acrescido em 0,05% da arrecadação estadual do Imposto sobre circulação de mercadorias e Serviços (ICMS). Como ainda só temos o terreno, os R$ 20 milhões já disponíveis serão usados na infra-estrutura física. Isso será feito durante 2006. A previsão é que a primeira turma de alunos ingresse em março de 2007. Esse recurso inicial será suficiente para montar a infra-estrutura do primeiro ano. Enquanto funciona o primeiro, daremos conta de construir as instalações do segundo ano e assim por diante até 2010, quando o campus deverá estar definitivamente implantado.
Agência FAPESP - O que representa para a comunidade acadêmica poder contar com mais um centro de ensino e pesquisa da Unicamp no interior de São Paulo?
Tadeu Jorge - A repercussão está sendo muito positiva. Existe um consenso geral da necessidade de oferecer mais oportunidades dentro das universidades públicas no Estado de São Paulo. Sem dúvida, a questão mais importante é o aumento do número de vagas. As primeiras vão entrar no vestibular de 2006, para que, no ano seguinte, tenhamos pelo menos 700 vagas novas preenchidas. Não podemos esquecer que estamos falando de mais vagas no ensino superior gratuito, com a qualidade da Unicamp, uma tradição no meio acadêmico.
Agência FAPESP – Em quais áreas do conhecimento serão ministrados os cursos em Limeira?
Tadeu Jorge - O Conselho Universitário aprovou uma lista com 18 cursos que estão em avaliação, sendo que 12 desses deverão ser implantados até 2010. Esses cursos foram divididos em cinco grandes áreas do conhecimento: Ciências, Engenharias, Administração-Gestão, Saúde e Arte, Cultura e Patrimônio. Teremos três cursos inéditos no território nacional: engenharia de manufatura, informática biomédica e restauro e conservação. Com isso, os alunos poderão se especializar em profissões que ainda são poucos exploradas no país.
Agência FAPESP – Como serão estruturados esses cursos?
Tadeu Jorge - Seguiremos basicamente os mesmos padrões do campus em Campinas. No entanto, um dos fatores essenciais do projeto é que não vamos repetir em Limeira outro curso já existente na Unicamp. Esse foi um dos princípios básicos do projeto de criação do novo campus. Todos os cursos terão duração de quatro anos. Metade das vagas será oferecida no período noturno e a outra metade no diurno. A estrutura curricular foi montada para facilitar a mobilidade dos alunos dentro dos cursos. A maior parte das disciplinas será comum nos dois primeiros anos de cada grande área do conhecimento para que, depois de dois anos, o aluno possa fazer uma análise com mais maturidade e escolher o curso mais adequado de acordo com a sua vocação.
Agência FAPESP - Existe algum diferencial a ser implementado no novo campus, seja no método de ensino ou no incentivo à formação de novos pesquisadores?
Tadeu Jorge - O novo campus está sendo planejado para fazer da pesquisa científica o grande elemento qualificador de ensino. A idéia é familiarizar os alunos com o ambiente da pesquisa durante todo o curso de graduação, promovendo um amadurecimento maior na escolha das carreiras. O projeto inicial prevê apenas cursos de graduação, mas com a ampliação da infra-estrutura serão oferecidas também possibilidades em pós-graduação.
Agência FAPESP - Outra novidade do novo campus é o Laboratório de Ações Participativas Integradas Sociais. Qual é o objetivo desse laboratório?
Tadeu Jorge - O projeto de Limeira tem como base um novo conceito que pretende fazer da interdisciplinaridade uma linha condutora de integração entre todos os cursos. Por isso, teremos muitas disciplinas em comum, visando a uma formação básica de qualidade. Esse novo conceito foi idealizado para que os alunos possam ter um contato maior com a população que os cerca. Esse laboratório pretende fazer o elo entre a universidade e a sociedade, fazendo com que os alunos utilizem os conteúdos ministrados em sala de aula para solucionar alguns problemas regionais de Limeira.
Agência FAPESP - Como será o processo de contratação dos novos docentes?
Tadeu Jorge - O projeto prevê a contratação de 150 professores por meio de concurso público. O processo seletivo terá início em 2006, para que esses docentes estejam atuando em 2007. A carreira docente começará com a titulação mínima de doutor e os professores terão independência para elaborar qualquer tipo de pesquisa que contribua para o avanço do conhecimento.