23/04/2026

Pick-Me Girl

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Apesar de a sociedade estar vivendo mudanças, ainda nos encontramos em um sistema patriarcal; e, nesse contexto, o homem mantém privilégios, cabendo à mulher a submissão e até mesmo o ostracismo diante do reconhecimento de suas atividades, sejam elas sociais e/ou profissionais.

Surge, então, o conceito pick-me girl, que, segundo a História de Stars Insider (2026) [1], representa um aprisionamento feminino na busca por validação masculina, reforçando o movimento red pill, que banaliza a violência contra a mulher. Nesse cenário, mulheres procuram se destacar para agradar homens, afirmando não serem como as demais, em uma tentativa de se tornarem únicas e desejáveis.

De acordo com a mesma fonte, essa busca por aceitação pode levar à adoção de comportamentos antifeministas, alinhando-se a posturas misóginas e enfraquecendo as lutas por igualdade de gênero. Como consequência, cria-se uma lógica em que a valorização feminina depende da desvalorização de outras mulheres, o que contraria diretamente os princípios do feminismo, que questiona as limitações impostas às mulheres[2].

Em contraponto, Hamlin e Peters (2018) [3] apresentam o movimento like a girl, voltado ao empoderamento, à autoconfiança e ao fortalecimento da autoestima feminina entre adolescentes.

Ainda assim, é preocupante observar mulheres que banalizam ou justificam a violência contra o próprio gênero, atribuindo-a ao comportamento ou à falta de submissão da vítima. Esse cenário evidencia falhas na educação, que deveria promover, de forma mais eficaz, o discernimento e a igualdade entre os gêneros, a fim de reduzir a adesão a discursos que desvalorizam a mulher e naturalizam a violência.

Assim, é na educação que se encontra o caminho para combater diferentes formas de intolerância, reafirmando o princípio de que todos são iguais perante a lei e garantindo que esse direito seja efetivamente aplicado a todos.

 

[1]https://www.msn.com/pt-br/estilo-de-vida/lifestylegeneral/o-que-%C3%A9-uma-pick-me-girl-e-por-que-esse-conceito-%C3%A9-p%C3%A9ssimo-para-as-mulheres/ss-AA198ata?ocid=winp1taskbar&cvid=69e7c95985d64a75a7d009d0dd92ee6f&ei=48#image=1

[2] https://www.politize.com.br/patriarcado/#os-lugares-que-ocupam-homens-e-mulheres-no-patriarcado

[3] HAMLIN, C.; PETERS, G. Consumindo Como Uma Garota: Subjetivação E Empoderamento Na Publicidade Voltada Para Mulheres. Lua Nova: Revista De Cultura E Política, N. 103, P. 167–202, Jan. 2018.

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