26/09/2007

Pela 1ª vez, servidor de SP tem pós gratuita

Por Rafael Sampaio, do Pnud

Cento e vinte funcionários da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo estão cursando pós-graduação

Pela primeira vez, funcionários da administração municipal de São Paulo estão cursando, gratuitamente, pós-graduação lato sensu. O currículo foi criado especialmente para os técnicos da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, por meio de uma parceria entre a Prefeitura, o PNUD e a Uniban (Universidade Bandeirante). Estão assistindo às aulas 120 servidores que atuam com pessoas em situação vulnerável, como jovens abandonados, moradores de rua de favelas.

O conteúdo do curso abrange desde o conceito de proteção e assistência social até técnicas para lidar com moradores de rua, além de outros princípios de política pública. Os técnicos foram divididos em três turmas e devem cumprir carga horária de 360 horas de teoria e prática no trabalho com gestão de políticas públicas sociais. O curso começou em 1° de setembro.

A coordenadora de Gestão de Pessoas da secretaria, Laura Santucci, avalia que há uma defasagem na formação dos assistentes sociais no Brasil. "Eles não têm formação superior, em sua maioria, o que também é comum em São Paulo ", diz. Dados do Ministério de Desenvolvimento Social confirmam essa avaliação: dos 8.859 assistentes sociais do país, apenas 1.712 (19,3%) fez curso universitário, segundo o estudo "Fotografia da Assistência Social na Perspectiva do SUAS [Sistema Único de Assistência Social]", apresentado em 2005, que reúne dados de 1.124 municípios.

O curso unirá a prática do atendimento à população carente com a abordagem teórica da universidade. "Queremos atender as novas metas de formação dos profissionais que serão requisitadas aos municípios através do SUAS", diz Laura. Ela afirma que o curso é um "marco histórico" para a assistência social em São Paulo, e que vai refletir em ganhos para a população carente no médio prazo. "Haverá melhora na gestão de albergues voltados para a população de rua, por exemplo", prevê. Segundo dados da Prefeitura, 13% da população de São Paulo (ou 1,3 milhão de pessoas) vive nas ruas, em favelas ou outras situações consideradas vulneráveis.

Outro benefício poderá ocorrer na gestão do programa São Paulo Protege, segundo Laura. Sob o lema "dê mais que esmola: dê futuro", esse projeto retirou 2.639 jovens do trabalho infantil no município nos últimos dois anos. Os assistentes sociais atuam com a recuperação de pessoas que vivem no centro de São Paulo, especialmente na área conhecida como Cracolândia, próxima à estação Luz.

Montado com apoio do PNUD, o curso de Gestão de Políticas Públicas Sociais pode ser repetido nos próximos anos. Segundo a presidente da pós-graduação da Uniban, Aldaíza Sposati, há uma demanda de cerca de 2 mil pessoas para a formação em gestão de políticas públicas sociais.

(PrimaPagina)
(Envolverde/Pnud)


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