02/11/2005

Passo a passo da EAD

Por Lilian Burgardt

No momento em que o MEC (Ministério da Educação), por intermédio da SEED (Secretaria de Educação a Distância), concentra esforços para alavancar a idéia da UAB (Universidade Aberta do Brasil) e disseminar a educação a distância no país, inserindo professores e alunos neste modelo de Educação, falar sobre o tema é quase obrigação nas instituições de ensino. Porém, ao passo que a idéia caminha para uma transformação da educação nacional, especialmente no que diz respeito ao Ensino Superior, muitos professores e alunos ainda estão alheios à forma como a EAD (educação a distância) pode contribuir.

Inúmeros são os projetos que pregam a mudança de um cenário que, hoje, ainda é de exclusão. Quem investe na área quer garantir acesso à Educação de qualidade seguindo novos paradigmas - modelos que trabalham com a utilização de discussões em ambiente virtual - que reordenam o "pensar" dos alunos, aliando a isso recursos tecnológicos que pretendem despertar os estudantes para uma novo aspecto da aprendizagem.

Pensando nisso, o Universia elaborou um especial sobre EAD. Dividido e publicado em duas etapas, ele irá destacar como e por que trabalhar a educação a distância destacando técnicas que podem, inclusive, melhorar o desempenho das aulas no ensino presencial. Dicas de especilistas indicam o caminho das pedras desde o ingresso neste novo modelo de ensino/aprendizagem até a elaboração e condução de um curso a distância.

Introdução à EAD

Certamente você já ouviu falar sobre o avanço da EAD (educação a distância) e dos resultados expressivos que este modelo de ensino/aprendizagem tem conquistado Brasil afora. No exterior, muitas instituições de ensino superior utilizam a EAD em sua grade curricular, seja para ministrar cursos ou disponibilizar recursos e materias didáticos para seus alunos. Este processo é reflexo do incentivo e interesse no modelo de aprendizagem que há séculos vem sendo utilizado por estes países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a utilização da EAD data do século XVIII. No Brasil, o primeiro curso a distância de que se tem notícia se deu no ano de 1904, no Rio de Janeiro. E, apesar da menor experiência de utilização da EAD no Brasil, os últimos resultados têm sido, no mínimo, interessantes.

Durante o seminário da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), realizado no início deste ano, foi lançado o ANAED (Anuário Nacional Estatístico de Educação Aberta e a Distância). A edição pode ser vista como um balanço neste período em que a experiência de EAD no Brasil passou dos 100 anos. De acordo com as estatísticas apresentadas no anuário, só em 2004, 1.137.908 alunos se formaram pela educação a distância em diferentes níveis. Destes, 309.957 em formação do Básico até Pós-Graduação (em 166 instituições cadastradas), 393.442 no Telecurso 2000 e 132.223 participaram de cursos de formação de professores e reforço escolar só no estado de São Paulo. O SENAC e o SESI formaram em 2004 mais de 48 mil pessoas em cursos profissionalizantes.

Levando-se em conta apenas as 166 instituições cadastradas formalmente no Brasil, no Sudeste estão 53% dos alunos e 54% das instituições de EAD do país. A região é seguida pelo Sul, com 17% e 37% respectivamente. Depois vem o Nordeste, com 18,7% e 6%; o Centro-Oeste, com 7,6% e 11,4%; e, por último, a região Norte, com 3,7% e 6,6%. A mídia mais usada pelas instituições ainda é a impressa (84%); e-learning (63%); CD-ROM (56%); vídeo (39%); TV (23%); rádio (3%); e outros (18%). O auxílio mais oferecido como suporte aos alunos é o e-mail (66%), telefone (82%), professor presencial (76%), professor on-line (66%), fax (58%), carta (50%), reunião presencial (45%) e reunião virtual (44%).

Passaporte para um novo universo

De acordo com o professor do NUTAE (Núcleo de Tecnologias Aplicadas à Educação) da Universidade Metodista de São Paulo Jacques Vigneron, os bons resultados colhidos pelo setor atualmente se devem à luta daqueles educadores que apostaram na educação a distância como alternativa para a democratização do ensino no país e que, por isso, incansavelmente participaram de eventos, congressos e discutiram a inclusão da EAD nas grades curriculares, bem como, em parte, reflexo do apoio que ultimamente a SEED (Secretaria de Educação a Distância) tem oferecido para o setor, especialmente com os esforços para a implementação da UAB (Universidade Aberta do Brasil).

"Frente a este crescimento do setor, se faz necessário investir na formação de professores em EAD para que se possa contar com mão-de-obra qualificada e especializada", diz Vigneron. Não é a toa que muitas universidades dispõem de recursos para auxiliar os docentes que pretendem ingressar neste universo. Os docentes, em contrapartida, devem aproveitar esta chance e buscar informação para se inserir neste novo mercado que, além de proporcionar uma reciclagem de conhecimentos, amplia o leque de oportunidades de carreira.

Para isso, o primeiro passo é entender como funciona a EAD, quem apóia esta idéia e onde procurar auxílio. "Saber onde procurar a informação é a chave para o sucesso", revela Wilson Azevedo, diretor técnico pedagógico da Aquifolium, empresa que presta consultoria em educação on-line. Segundo ele, as iniciativas são inúmeras, desde os núcleos de pesquisa em EAD dentro das universidades, até cursos específicos sobre como trabalhar com educão a distância. Basta escolher a opção que melhor se adequa ao perfil do docente. "Certamente se um professor universitário tem a seu alcance um Núcleo de Pesquisas em EAD dentro de sua instituição deve se aproveitar disso", declara. Isto porque nestes núcleos há profissionais que poderão auxiliá-lo a dar os primeiros passos neste setor, como também, se for o caso, dar vida às idéias e projetos que necessitam apenas de implementação.

Caso o professor esteja fora de uma universidade, é importante destacar que nada o impede de procurar ajuda dos núcleos de pesquisa em EAD das instituições de ensino, já que na maior parte das vezes, as instituições se mostram abertas inclusive para os docentes que não fazem parte de seu quadro de funcionários. "As instituições particulares, em especial, têm mais facilidade para aceitar projetos e propostas de docentes de fora e dar suporte para sua execução", explica Azevedo.

Outras opções à disposição no mercado são os cursos de formação continuada e de aprimoramento em educação a distância. A Aquifolium, por exemplo, oferece um workshop que auxilia a desenvolver competências para trabalhar a educação em ambiente virtual. "O público-alvo deste curso são professores, instrutores, tutores ou facilitadores, bem como estudantes de graduação e pós-graduação que já atuam ou pretendem, futuramente, trabalhar com educação on-line em cursos a distância ou semipresenciais", conta o diretor técnico.

Sendo assim, o primeiro passo para iniciar trabalhos com educação a distância é saber onde buscar a informação, entender como funcionam os núcleos de apoio à pesquisa em EAD e de que forma eles podem ajudá-lo a ingressar neste universo. Não deixe de conferir, nos links relacionados acima, à direita, uma série de reportagens que desvendam um pouco mais sobre o o universo da educação a distância.

Ambientação em EAD

O mínimo é o máximo. Essa é a primeira regra que os docentes que pretendem trabalhar com EAD (educação a distância), em especial educação on-line, aprendem ao ingressar em um curso de formação ou capacitação de docentes para este método de divulgação do saber. Embora a maior parte deles imagine que as mais modernas ferramentas de tecnologia garantem o sucesso do aprendizado dos alunos, a simplicidade mostra serviço rápido e, com resultados eficientes, quebra estes paradigmas. Em parte, isso se dá graças à atual falta de infra-estrutura e acesso da população aos ambientes virtuais e, ainda, à grande dificuldade de manuseio de ferramentas e softwares de última geração pela ausência de intimidade com estes recursos.

Para especialistas, estas são dificuldades evidentes logo nos primeiros momentos em que os alunos-professores são colocados frente a frente ao desafio de aprender para depois ensinar. Isto porque, para ensinar, especialmente em um ambiente a distância, é necessário ser aluno deste ambiente. Para Wilson Azevedo, diretor-técnico da Aquifolium, empresa que presta consultoria em educação on-line, esta fase da ambientação com as ferramentas e com a EAD é fundamental para quem pretende trabalhar no setor. "À medida que o aluno-professor conhece o ambiente, as ferramentas e o que é possível trabalhar a distância, passa a ter uma visão mais clara do que pode fazer ou não parte do planejamento de seu projeto", diz.

Na fase de ambientação, segundo especialistas, é que o professor aprende quais recursos podem melhorar o desempenho de suas aulas, o que pode ser usado a seu favor para prender a atenção dos alunos, fazê-los questionar, discutir e participar mais das aulas, como também, serem silenciados em momentos de discussões aquecidas. "Durante a ambientação, o professor aprende que as ferramentas têm função específica para atingir determinados resultados e quando fazer uso delas", explica o professor do NUTAE (Núcleo de Tecnologias Aplicadas à Educação) da Universidade Metodista de São Paulo, Jacques Vigneron.

Nesta fase, segundo Azevedo, são comuns fatores como a sensação de estar sempre atrasado. Isto porque o professor quando não está acostumado com o ambiente virtual, sem data e hora para começar a estudar, já se depara com o primeiro conflito de quem estuda a distância: o choque de tempo e espaço. "Nós, desde pequenos, fomos doutrinados a chegar na escola em um horário e estudar em um determinado período de tempo. Na EAD, esta limitação não existe, salvo quando se usa recursos em que é necessário fechar horário como chats, por exemplo. No começo, isto é, sim, perturbador para o aluno-professor. Com o tempo, passa a ser uma rotina", revela o diretor técnico.

Para Azevedo, este processo, no entanto, faz parte do amadurecimento do trabalho em ambiente a distância. Exige o aprimoramento de outras formas de comunicação e o uso de ferramentas que impactam diretamente no seu aprendizado. "O aluno-professor passa a utilizar essas ferramentas para se comunicar e, no futuro, irá perceber que, além disso, estas ferramentas podem ser utilizadas como suporte de seu curso", diz.

É o que acontece com o e-mail, por exemplo. Segundo ele, a solução é sucesso garantido quando se fala em suporte em educação a distância. Em primeiro lugar, por se tratar de um canal veloz para solucionar dúvidas e para debater temas com os colegas, como também, um recurso interessante para guardar materiais didáticos, ou de apoio. "Não são raros os casos em que o e-mail acaba assumindo papel de destaque entre as ferramentas prediletas de quem ensina ou aprende com a educação on-line", defende Azevedo.

Tal argumento se reflete nos números da educação a distância no Brasil. De acordo com o levantamento elaborado pela ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância) durante o ano de 2004 e publicado no início neste ano no ANAED (Anuário Nacional Estatístico de Educação Aberta e a Distância), em comemoração aos 100 anos de EAD no Brasil, o auxílio mais oferecido como suporte aos alunos é o e-mail, com 66%; na seqüência vem o telefone, com 82%; depois destaca-se o auxílio do professor presencial; com 76%; e do professor on-line, com 66%. Alternativas como o fax chegam a 58%; cartas, a 50%; reuniões presenciais, a 45%; e reuniões virtuais, por último, com 44%.

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