Passe de Mágica credita ao esporte a formação de jovens
Acompanhar cada criança em seu desenvolvimento e formação. Esse é o principal desafio do Passe de Mágica, coordenado por Maria Paula Gonçalves da Silva, a estrela do basquete que ficou notabilizada como Magic Paula. O projeto pretende fazer do esporte uma ponte na transformação pessoal de cada jovem participante. Atualmente, são 300 adolescentes de no mínimo 15 anos, matriculados regularmente na rede pública de ensino, atendidos em três núcleos, dois em Piracicaba e um em Diadema, no Estado de São Paulo.
O que pouca gente sabe é que o astro do basquete tem investido em sua própria formação para replicar noções de cidadania e sustentabilidade. Formada em educação física, Paula já cursou gestão do esporte e administração esportiva, em instituições de ensino reconhecidas, como Trevisan e Fundação Getulio Vargas.
"Eu e Branca, irmã e coordenadora técnica do projeto, queríamos devolver à sociedade o que ganhamos com o esporte. Queremos ainda despertar a consciência cidadã desses jovens, utilizando a atividade esportiva de forma lúdica, aplicando valores como disciplina, sociabilidade, respeito para com o próximo, para com o mundo e para consigo mesmo", adverte Paula. Para ela, esses são valores herdados ao longo de sua carreira. E vai além, prenunciando o Passe de Mágica como uma oportunidade para aprendizagem na convivência em grupo e para mostrar que o esporte proporciona também o desejo de vencer em todos os aspectos da vida.
Outra preocupação no projeto elencada pela atleta é a não-reprodução da exclusão de participantes, quando eles não cumprem o biotipo e os padrões elitistas, muitas vezes previstos nas práticas esportivas.
Durante as atividades, são oferecidos lanches aos integrantes dos núcleos, instalados, não por acaso, em áreas carentes e deficitárias no acesso a serviços como saúde, educação e lazer. À orientação técnica são adicionadas instruções de acondicionamento e reciclagem de lixo.
Balizado ainda pelo resgate da auto-estima e das responsabilidades, o projeto reforça a participação dos jovens em eventos da cidade, dentro de uma perspectiva de inclusão social.
"Eu quero aprender a jogar basquete e a falar inglês. E, quando eu crescer, quero ser profissional. Eu nunca falto porque aqui tem jogo, brincadeira e lanche. Gosto muito dos meus amigos e dos meus professores de inglês e basquete", diz Mateus dos Santos, 11 anos.
Já Isabel Aparecida Brasiliano de Souza, 13 anos, conta que ali tem a oportunidade de jogar basquete, seu esporte predileto. "Gosto também das aulas de inglês, fazer artesanato e de conhecer lugares diferentes. Gosto muito de todos os meus amigos".
O lançamento do projeto aconteceu no dia 9 de agosto de 2004, nas instalações do Tiro de Guerra na cidade de Piracicaba, onde são atendidas cerca de 100 crianças. Outro grupo com o mesmo número de integrantes foi criado na sede Sesi, na mesma cidade, onde a ex-jogadora da seleção brasileira começou sua trajetória no basquete.
O limite de integrantes em cada núcleo se deve, segundo Paula, ao perigo da proliferação da grife, sem manter o padrão de atendimento adequado. A equipe dos núcleos é formada por dois técnicos, quatro estagiários, uma coordenadora e uma supervisora.
Em 29 de novembro de 2004 foi firmada uma terceira parceria, desta vez com a Farnell-Newark InOne, empresa de componentes eletrônicos, estabelecendo um novo núcleo em Diadema, na Grande São Paulo, com atuação desde agosto último. Há ainda outros parceiros, como Livraria Cultura, que desenvolve rodas de leitura compartilhada, com contadores de histórias, Cooperativa de Consumo de Piracicaba (Coop), Open English e Bical, que fornecem alimentação, aulas de inglês e uniformes.
"Também queremos retribuir de alguma maneira à comunidade onde a empresa está instalada. E, aplicar em um projeto social, foi a melhor forma que encontramos, já que a cidade de Diadema possui muitas famílias carentes que necessitam de algo a mais", afirma Marli Brochini, coordenadora de marketing da Farnell-Newark InOne.
De acordo com a coordenadora, o Passe de Mágica veio para acolher as crianças da cidade. "Como os pais trabalham e geralmente ficam fora de casa durante o dia, o projeto é uma forma de ocupar de forma saudável a vida das crianças. Percebemos que o resultado dessa prática não refletiu somente nelas".
Hoje, ressalta Marli, os funcionários da Farnell têm orgulho em trabalhar em uma empresa preocupada com a comunidade e que assumiu o patrocínio de um projeto social com as crianças da região.
Por sua vez, a Coop diz acreditar no projeto. "Patrocinamos o projeto em Piracicaba por dois motivos: primeiro porque é uma iniciativa esportiva, que lida com crianças, e, por ter como base o esporte, já é uma ação social por si só. Traz qualidade de vida, tem foco educativo e dá novas perspectiva para as crianças", declara Geraldo Ramos, coordenador de marketing da Coop.
Para ele, "o projeto casou com a filosofia da empresa, fundada em sete princípios". Entre eles destacam-se o apoio à formação do cooperado e o interesse pela comunidade. Portanto, ressalta o coordenador, apoiar é atender os princípios da cooperativa. "Para nós, da Coop, apoiar o Passe de Mágica tem sido muito gratificante. Mantemos uma aproximação com as crianças, com os familiares e percebemos que elas já têm outras perspectivas. Mostramos para elas a importância da escola, a necessidade de estudar e o foco que elas precisam ter no futuro", completa.