Para professora, política de cotas é apenas uma das diversas possibilidades de ações para negros
Por Thaís Brianezi
Rio – As políticas afirmativas direcionadas à população negra no Brasil ainda estão muito aquém do ideal, tanto em termos de implementação quanto em produção de resultados, segundo afirma a professora do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual Paulista, Maria Valéria Veríssimo. Ela participou nesta quarta-feira (5), no Rio de Janeiro, da 3ª Conferência da Association for the Study of World African Diaspora (ASWAD), realizada pela primeira vez no Brasil.
"O grande problema é que a nossa sociedade reduziu a discussão de ações afirmativas à política de cotas", disse Maria Valéria Veríssimo. Ela avalia que é necessário pensar o racismo no ambiente educacional de forma mais estrutural, discutindo as razões que geram a desigualdade racial. "As cotas são apenas uma das diversas possibilidades de ações afirmativas. E isso precisa ser levado em conta porque elas não resolvem a questão", argumentou.
Veríssimo defende que as mudanças devem começar na formação dos professores, que deveria ser baseada na diversidade cultural. "É preciso ainda ampliar as vagas e as verbas destinadas à educação superior para toda a população, para negros e brancos. Como não existe vaga para todos, é criada uma disputa desnecessária, desleal e extremamente desigual", disse ela, pontuando que essa disputa é reproduzida também em outras esferas, como acesso reduzido ao mercado de trabalho e salários mais baixos para os negros.
Até sexta-feira (7), mais de 400 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, ligados a 191 universidades de vários países, vão debater sobre a dispersão dos afrodescendentes pelo mundo, no Hotel Sofitel, em Copacabana.