Para OAB, excesso de cursos de direito causa altos índices de reprovação em exame
Por Gabriella Noronha, da Agência Brasil
Brasília - O presidente da Comissão de Exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Paulo Thompson, disse nesta segunda-feira (6) que os altos índices de reprovação no último exame se deve ao excesso de cursos de direito no país, "muitos deles sem a menor condição de oferecer um ensino de qualidade".
Os resultados divulgados pela OAB apontam que em São Paulo houve 83% de reprovação; no Distrito Federal, 79%; em Mato Grosso do Sul, 63,53%; e no Rio Grande do Sul, 71,6%. Na região Nordeste, o pior resultado é o do Maranhão, onde 77% dos candidatos não conseguiram aprovação.
“Não se pode esquecer que a advocacia é uma atividade essencial para a aplicação da Justiça e cabe à OAB fiscalizar a advocacia e estabelecer, desde logo, uma barreira de ingresso para aqueles que não estão aptos a exercer essa atividade”, afirmou Thompson, em entrevista à Rádio Nacional.
Thompson disse ainda que o exame é uma medida de proteção á sociedade: “O aumento do índice de reprovação no exame demonstra a má qualidade de alguns cursos, que em vez de se preocuparem com a melhoria, patrocinam lobby para a extinção do exame da Ordem”.
O exame é realizado em todos os estados brasileiros e concede licença para os bacharéis em direito atuarem como advogados. Ele é realizado em duas fases: na primeira, a prova apresenta cem questões de múltipla escolha; na segunda, quatro questões práticas e uma peça jurídica.