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Para juventude, política de segurança pública não deve restringir direitos
Por Talita Mochiute, do Aprendiz
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Jovens do estado de São Paulo, reunidos na 1° Conferência Livre de Juventude e Segurança Pública, criticaram as propostas de redução de maioridade penal e toque de recolher como medidas de combate à violência. Para a juventude, a política de segurança pública não deve restringir ou suprimir direitos. Esse princípio estará no relatório que será enviado ao Ministério da Justiça até 15 de julho para subsidiar as discussões da etapa nacional.
Com o objetivo de discutir questões de segurança pública, a Conferência ocorreu no último sábado (4/7) na cidade de São Paulo (SP). O evento contou com cerca de 100 participantes, incluindo jovens e adultos, da capital e de outras cidades, como Atibaia, Sorocaba e Mogi das Cruzes.
“Conseguimos realizar discussões propositivas. Passamos da constatação de problemas para a reflexão de propostas”, comentou coordenadora de gestão local da segurança do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo. Para provocar os debates, foram apresentados aos jovens vídeos, textos e teatro.
A Conferência Livre foi organizada pelo Instituto Sou da Paz, Ação Educativa, Centro Cultural da Juventude, Ilanud, Revista Viração e Coordenadoria Municipal de Juventude. Também contou com o apoio da Coordenadoria Estadual de Juventude.
Para a pesquisadora do Ilanud, Marina Menezes, foi muito importante a juventude se posicionar contra medidas restritivas aos direitos. “No mesmo dia, aconteceu a Conferência Metropolitana – com representantes da sociedade civil, Poder Público e trabalhadores da área de segurança –, onde os participantes sugeriram a mudança da maioridade penal”.
A visão dos jovens contribui para fomentar as discussões em torno de uma política de segurança pública que contemple a pauta da juventude. “Geralmente, quem faz a política associa a juventude como a maior autora da violência. No entanto, também é a maior vítima”, disse Marina.
Partindo do princípio de que uma política de segurança pública deve promover a garantia dos direitos, os jovens, divididos em quatro grupos de trabalho, criaram um conjunto de propostas. Uma das reivindicações foi o investimento na formação de profissionais da segurança, da educação e da saúde para que ampliem o conhecimento nos assuntos da área da juventude e saibam lidar com a diversidade. Outra demanda foi a criação de espaços ou Centros da Juventude para atividades esportivas, culturais e de lazer.
O relatório da Conferência estará disponível após o dia 15 de julho nos sites das instituições organizadoras do evento. A ideia é que o documento possa estimular novos debates e projetos.
(Envolverde/Aprendiz)
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