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Líderes comunitários, crianças e adolescentes de bairros pobres da cidade de São Paulo (SP) concordam que as escolas estão longe das casas dos alunos e que não existem vagas em todos os períodos oferecidos. O levantamento é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) que ouviu 2.148 crianças, adolescentes e lideranças de 55 comunidades de baixa renda da capital paulista e de Itaquaquecetuba.
Os entrevistados responderam um questionário sobre saúde, educação, violência, participação social e políticas públicas. Eles tinham que dar uma nota de zero a dez — zero representa total insatisfação e dez plena satisfação — em quesitos como, participação em atividades comunitárias e confiança nos agentes de segurança.
A pergunta “Existem vagas para todos os adolescentes em escolas próximas e nos horários preferidos?” recebeu nota 3,4 dos líderes comunitários e 4,9 das crianças e adolescentes de sete a 17 anos.
Outros quesitos receberam notas vermelhas como limpeza dos banheiros da escola (4,3), atividades no contra turno das aulas (3,3), número suficiente de funcionários em escolas (3,8) e qualidade do ambiente escolar (3,5). “Os jovens tem dificuldade de estabelecer um nível de confiança com os funcionários da escola que os ajude a superar problemas”, avalia Anna Penido, responsável pelo Unicef nas regiões Sul e Sudeste.
Ainda assim, 47% dos líderes comunitários entrevistados julgaram que a qualidade da educação é regular. “A tendência é avaliar como satisfatório só por ter garantido acesso e merenda, mas escola tem que ser muito mais do que isso”, afirma Anna.
Violência e Saúde
Entre os líderes comunitários, 58% consideram a segurança no bairro como ruim ou péssima. Eles avaliam ainda que programas para prevenir violência entre os jovens são insatisfatórios (nota 3,6), assim como a punição para quem viola os direitos das crianças e dos adolescentes (3,9). Eles apontam também que a comunidade não confia nos profissionais de segurança (2,9).
Sobre saúde, os adolescentes avaliam que tem acesso fácil a preservativos (7,5), e que conseguem informações com relativa facilidade sobre o assunto (6,7). Para as lideranças, os jovens não costumam usar camisinha (nota 3,9) e não estão totalmente esclarecidos sobre as formas de transmissão da doença (3,9).
A pesquisa inédita foi realizada entre julho e novembro de 2009 pelo Unicef e pelo Instituto Paulo Montenegro — braço do Ibope para questões sociais. A intenção é que a iniciativa seja replicada em mais 10 países (Filipinas, República Dominicana, Índia, Rússia, Jordânia, Sudão, África do Sul, França, Itália e Espanha). “Nessa pesquisa as comunidades dizem quais os problemas que enfrentam e quais as áreas que precisam de mais investimento”, afirma Anna.
(Envolverde/Aprendiz) |