17/02/2007

Papel reciclado ajuda a combater pobreza

Por Talita Bedinelli, do PNUD

Projeto em Roraima ensina jovens de áreas violentas e pobres de
Boa Vista a fazer calendários e embalagens com material artesanal.

Um grupo de 55 jovens moradores de regiões com alto índice de violência em Boa Vista (Roraima) está aprendendo a fazer embalagens, pastas, blocos e calendários de papel artesanal. Eles participam de um projeto chamado Dupapel, desenvolvido pala UFRR (Universidade Federal de Roraima), que vai oferecer cursos que ensinam desde como reciclar papel — primeiro passo para a confecção dos produtos — até como comercializar o que foi produzido.

A atividade é uma das iniciativas contempladas pelo Programa de Inclusão Produtiva de Jovens, realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social em parceria com o PNUD. O programa selecionou, em maio do ano passado, 38 projetos de instituições de ensino superior que receberam, no total, R$ 8 milhões para implementar atividades voltadas à geração de emprego para jovens de baixa renda. O Dupapel recebeu R$ 72 mil para comprar equipamentos e material de apoio e para contratar instrutores.

O projeto nasceu em 2003, a partir de uma parceria com a Prefeitura de Boa Vista. Na ocasião, a UFRR passou a desenvolver uma oficina de papel artesanal dentro do Projeto Crescer — que desde 2001 oferece cursos para jovens de baixa renda. Em 2004, a oficina foi interrompida, mas no ano seguinte a Prefeitura reformou um galpão dentro da universidade para que fosse construído um laboratório da atividade. Com isso, cinco jovens do projeto começaram a trabalhar todos os dias da semana na reciclagem do papel e na confecção dos artigos. Em um único evento da universidade, eles venderam 100 pastas e 250 calendários, arrecadando R$ 1.300.

Quando foi selecionado pelo programa do governo federal, o projeto ampliou o número de beneficiados. Foram selecionados outros 50 jovens — os critérios de seleção incluíam estar matriculado na escola, participar de alguma das oficinas do projeto Crescer e ter bom comportamento nas atividades da Prefeitura. “Aqui a gente tem um problema muito grande com gangues urbanas que brigam entre si. É esse o público do Projeto Crescer: jovens que estão em situação de violência”, diz a professora da UFRR Cássia Caliari, que coordena o Dupapel.

Apesar de o contrato ter sido assinado no início do ano passado, o projeto só começou a ser desenvolvido em outubro, quando houve a seleção dos jovens. “Várias universidades tiveram dificuldades na operacionalização financeira. Nós só tivemos acesso aos recursos no início de novembro”, afirma Cássia. No fim de novembro, foram realizados dois cursos — um de papel reciclado e outro de papel de fibra de bananeira (outra matéria-prima também usada na confecção dos produtos).

Até o fim deste ano, outras seis capacitações serão oferecidas: de embalagem, cartonagem, empreendedorismo, cooperativismo, comercialização e gestão financeira. As atividades duram 20 horas e são feitas na própria universidade. “A idéia é que eles entrem no ambiente universitário para que possam conviver com os acadêmicos. Isso é uma contribuição para que eles saiam do risco de inclusão social”, avalia a coordenadora.

Em julho deste ano, cinco jovens da oficina vão viajar para Porto Alegre para conhecer um projeto similar desenvolvido pela prefeitura local. “No Rio Grande do Sul, a oficina é para meninos de rua e já está bem mais estruturada. Queremos que eles conheçam outra realidade e vejam que está dando certo com meninos que fazem isso há mais tempo”, destaca Cássia. (PrimaPagina)

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