O que é o espírito universitário?
Por Salvatore Carrozzo, da UnB Agência
Na verdade, não existe apenas um. A resposta é individual e passa pelas escolhas feitas durante a graduação.
Comparar o ensino médio ao superior é como tentar achar semelhanças entre um cachorro e um bule. Se antes as cobranças de pais, professores e diretores são rígidas (e o temido boletim é prova disso), na universidade, tudo parece apontar para a total flexibilização de valores e de medidas. Mas nem tudo que parece é. “Quem chega à educação superior precisa tomar cuidado para não se deslumbrar de um modo negativo”, alerta o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Sadi Dall Rosso.
Camargo acredita que alunos devem participar mais da rotina do campus
Segundo ele, quem acha que não precisa estudar “cai do cavalo”, e o tombo pode ser doloroso. Mas estudar não é tudo. Na opinião do Decano de Ensino de Graduação da UnB, Murilo Camargo, os calouros devem procurar descobrir, aos poucos, as diversas facetas da universidade. “A graduação oferece uma vivência maravilhosa. Aquele aluno que apenas chega, vai para a aula e faz prova não vive o espírito universitário”, acredita.
Espírito universitário: eis duas palavras das quais muito se fala e pouco se sabe a respeito. Para o estudante do 5º semestre de Psicologia Antônio Rabelo, 29 anos, o significado do termo representa o conjunto de valores que permeiam a academia – entendida aqui como ambiente universitário e não como o espaço repleto de aparelhos de musculação. “É o ar que respiramos aqui”, filosofa. Para ele, o ensino médio é marcado pela rigidez e a relação professor-aluno é vertical. “Aqui o livre arbítrio é maior”, afirma.
CAMINHOS - Quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade, e engana-se quem pensa que essa relação ambígua está presente apenas em livros de auto-ajuda. Ela é uma das bases da Teoria Existencialista do intelectual francês Jean Paul Sartre (1905 – 1980). Camargo acredita que a possibilidade de escolhas na UnB (como montar a grade horária, que matérias optativas fazer, em quais projetos de iniciação científica ou de extensão entrar) é extremamente benéfica para a formação do aluno.
Para Rosana, a responsabilidade do alunos é maior em instituição pública
“Acho que antes de usufruir dessa liberdade, é preciso que o calouro avalie o que essa condição traz de positivo e negativo”, aposta a diretora de Esportes, Arte e Cultura da UnB, Rosana de Castro. Ela ressalta ainda que a responsabilidade do aluno é ainda maior em uma universidade pública. “Se ele resolve cursar apenas uma disciplina por semestre, está sobrecarregando o sistema e impedindo que outros entrem”, explica. Para ela, quanto mais tarde o estudante descobre o significado dessa liberdade, menor a vivência que tirará da academia.
Na opinião do reitor Timothy Mulholland, os alunos da universidade são os maiores responsáveis pelo aprendizado. “Nada é dado de mão beijada”, avisa. Ele aponta que a pesquisa pode enriquecer o aprendizado e ainda ajudar a formular novos conceitos. Outro ponto que Mulholland destaca é a extensão universitária. “Essa interlocução com a comunidade é fundamental”, acredita, acrescentando que atividades extensionistas reforçam o ensino dos professores.
Mas a universidade também é lugar para namorar, conhecer, aprender, ensinar, descansar, filosofar, estudar, se divertir... Você monta o seu espírito universitário.