"O foco da Capes é a qualidade de formação na pós-graduação", afirma Renato Janine
Por Cristiane Capuchinho
Na noite da última quinta-feira (30), o professor Renato Janine Ribeiro, atual diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) esteve na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP para a aula inaugural da pós-graduação da unidade.
O mote da palestra era o sistema de avaliação usado pela comissão e sua adequação às especificidades da área de humanas. Na abertura da aula, o professor Luís Milanesi, diretor da ECA, falou sobre as peculiaridades da unidade: “temos um perfil que claramente nos diferencia e dificulta os critérios para avaliação a que temos de nos adaptar”. Com notas abaixo da média nas últimas avaliações trienais da Capes, a ECA acaba de iniciar seu novo programa de pós-graduação.
Renato Janine, em quase duas horas de conversa, destrinchou os critérios utilizados pela Capes e as mudanças que vêm sendo estudadas para adequação às áreas de humanas. De início, o diretor expôs as diretrizes da avaliação, considerando que as preocupações da Capes quanto aos programas de pós-graduação tem foco no aluno e em sua qualidade de formação. Dessa forma, os programas têm de garantir que seu corpo docente permanente tenha produção científica contínua, além de afiançar que a pesquisa esteja sempre atrelada ao ensino, ou seja, pesquisadores ativos devem dar aulas, bem como bons professores devem ter produção acadêmica.
Avaliação das publicações
Uma das principais questões sobre os critérios usados pela Capes está no peso dado pela coordenação a publicações. No caso das ciências exatas e biológicas, a importância da publicação de artigos em periódicos de relevância internacional é muito grande. Já na área de humanas, o grande expoente está na publicação de livros e capítulos de livros.
Sobre isso, Janine narrou as experiências que estão sendo feitas pela Capes para atribuir pesos diferentes às publicações, dependendo de sua relevância na área. No caso específico dos livros, estudam a possibilidade de avaliação das editoras junto com a qualidade de conteúdo do livro; evitando que qualquer livro publicado, independente de sua relevância, seja computado como produção científica.
Ainda sobre a necessidade de tornar públicos os trabalhos feitos dentro da academia, Renato Janine salientou a atual indicação de que as instituições tenham páginas na web com seus programas de pós-graduação e as pesquisas ali realizadas. O professor lembrou que ações simples como essa, mas de grande importância, também têm sua pontuação na avaliação geral, por facilitar a divulgação do conhecimento.
Papel da Pró-Reitoria
Durante sua fala, por diversas vezes o professor apontou a importância da atuação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação para que a avaliação interna seja feita de maneira continuada, independentemente da nota trienal da Capes. Na USP, uma comissão para análise dos cursos de pós-graduação está sendo montada. Segundo Armando Corbani, pró-reitor de Pós-Graduação, a comissão deve ser convocada no mês de abril, e deverá prioritariamente trabalhar com os cursos que receberam notas mais baixas na última avaliação trienal da Capes.