28/11/2006

O caminho para inovar na educação

Ao completar 20 anos, Ceam ainda é considerado vanguardista por integrar diferentes áreas do saber.

O Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) da Universidade de Brasília (UnB) nasceu com um princípio que ainda hoje é considerado inovador: a integração de diferentes áreas do conhecimento para o estudo de temas comuns. Criado em 1986, completa 20 anos em 2006 e já conseguiu consolidar 30 núcleos temáticos (veja abaixo), além de ter adquirido credibilidade diante da comunidade acadêmica por meio de atividades de pesquisa, ensino e extensão. Os números comprovam a excelência: apenas entre 1999 e 2005, 428 estudantes concluíram pós-graduação em algum de seus núcleos e 4.681 foram aprovados nas disciplinas de módulo-livre oferecidas pela unidade.

O Ceam investe também na divulgação do conhecimento produzido por seus pesquisadores. Só em 2000 foram publicados 13 livros e, desde essa data, mais de 25 cadernos (veja lateral) e três mil exemplares da Revista do CEAM. Idealizador do centro, o então reitor Cristovam Buarque afirma que o Ceam é uma concepção de funcionamento da universidade que ele defende até hoje. Agora, diz ele, os núcleos têm o papel de divulgar para o Brasil inteiro a necessidade e a importância da multidisciplinaridade no ensino. “A instituição de ensino superior tem de ser viva, interligada, e não há nada que dê mais vivacidade que um centro como esse. Os problemas da realidade só podem ser enfrentados com essa visão”, diz Buarque.

VANGUARDA – Foi nos projetos de extensão do Ceam que a antropóloga formada pela UnB Virginia Litwinczik, 31 anos, descobriu em que área seguiria os estudos depois da graduação. Entre 1998 e 2000, ela desenvolveu o trabalho Abrigos da Memória em Brasília, no qual resgatou lembranças de antigos moradores que viram a construção da Barragem do Paranoá, a 28 quilômetros da cidade. “O Ceam foi fundamental para minha trajetória profissional. Lá eu aprendi a fazer trabalho de campo, a coletar dados e tive a possibilidade de, inclusive, atuar em temas como oralidade, que quero levar adiante no mestrado”, conta Virginia.

Para a atual diretora do Ceam, Ana Maria Nogales, o fato de ter espaço físico próprio dentro da estrutura da UnB pode ser considerado uma conquista. Outra delas é a grande procura dos estudantes por disciplinas de graduação como Promoção da Saúde a Distância e Ecologias Urbanas e Ecologias Naturais. Um dos desafios para os próximos anos é ter estrutura que facilite a comunicação entre os núcleos temáticos, porque unidades como o Núcleo de Estudos da Saúde Pública, por exemplo, funcionam fora do campus da UnB. “É um marco comemorar os 20 anos desse projeto de vanguarda que veio para romper com a estrutura da universidade e integrar disciplinas de diversas áreas do conhecimento”, considera Ana Maria.

LIMITAÇÕES – Um dos fundadores e primeiro diretor do centro, o professor Nielsen de Paula Pires permaneceu no cargo durante 11 anos e avalia que a unidade passou por mudanças significativas nos últimos 20. Uma delas foi vencer a resistência da comunidade acadêmica em relação à organização do novo modelo. Ele lembra que, na época da criação, muitos departamentos e institutos defendiam que em vez de agregar diferentes áreas do conhecimento em um só tema, as unidades tinham de especializar-se cada vez mais.

Segundo ele, os núcleos ainda precisam descobrir como realmente desenvolver um trabalho multidisciplinar porque enfrentam o problema de ter professores lotados em diferentes departamentos, o que dificulta o gerenciamento do trabalho. “A produtividade seria maior se os docentes fossem lotados no Ceam. Mas é até uma virtude saber que tudo o que se faz aqui depende da vontade deles”, analisa Pires.

RECONHECIMENTO – O estudante do 8º semestre de Geografia da UnB Rafael de Castro, 22 anos, começou as atividades no Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (Neur) do Ceam em julho de 2006 e tem boas perspectivas em relação aos resultados. Ele trabalha com o mapeamento de estatísticas de taxas de homicídio, nascimento e fecundidade, entre outras, e tem acesso a pesquisas desenvolvidas de forma multidisciplinar. “O centro tem uma história de pesquisa e extensão que desenvolve importantes temas e acompanha de maneira dinâmica as questões da sociedade”, elogia Castro.

Ex-diretor do Ceam, o professor Aldo Paviani lembra que até mesmo o fato de os professores serem de diferentes unidades levou coordenadores a considerar a criação do centro algo que esvaziaria o local de origem e tiraria tempo dos docentes. “Essa luta começou com tímidos avanços e enfrentou grandes resistências. Agora, o centro foi reconhecido como um corpo que acrescenta tanto para a comunidade acadêmica como para a sociedade”, analisa Paviani.

PUBLICAÇÕES DO CEAM

Cadernos

1. Atividades para a Terceira Idade no Distrito Federal (NEPTI)
2. Tramas, espelhos e poderes na memória (NECOIM)
3. Curso de Fitoterapia – Produção de Remédios Caseiros com Qualidade (NEPAVI)
4. Bibliografia Analítica da Cultura Afro-Brasileira: Artigos em Periódicos (NEAB)
5. Estatuto da Criança e do Adolescente e a Construção da Cidadania (NEIJ)
6. As Relações entre Mídia e Política (NEMP)
7. Dimensões da Integração no Mercosul (NEM)
8. Panorama da Realidade Cubana (NESCUBA)
9. Oriente - Ocidente Dimensões Culturais (NEASIA)
10. Temas em Políticas Públicas (NP3)
11. Conflitos de Interesses e a Regulamentação da Política de Assistência Social (NEPPOS)
12. Panorama da Realidade Cubana - 2 (NESCUBA)
13. Derecho a la alimentación en el Brasil de Lula (NEAGRI)
14. Fome Zero - Políticas Públicas e Cidadania (NEAGRI)
15. Oralidades e Outras Linguagens (NECOIM)
16. Ciclo de Conferência "Propostas para um Novo Brasil" (NEBC)
17. "Agricultura Familiar e Desenvolvimento Territorial - Contribuições ao Debate" (NEAGRI)
18. Bioética Global - Biomédica/ Biotecnológica, Social e Ambiental (NEPeB)
19. Panorama da Realidade Cubana 3 (NESCUBA)
20. Estudos Rurais (NEAGRI)
21. Capital Social, Eucação e Agronegócios (NEAGRI)
22. A Constituição da Nova Regulamentação Sucroalcooleira (NEAGRI)
23. Associativismo, Cooperativismo e Economia Solidária no Meio Rural (Neagre)
24. Avaliação de Políticas Públicas Rurais (Neagre)
25. Estudos Econômicos e Agropecuários (Neagre)

Revista

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