O Bê-a-Bá dos cálculos
A demanda por matemáticos ainda é maior na área acadêmica, mas esse quadro já está mudando.
Somar, subtrair, multiplicar, dividir... a matemática é muito mais do que isso. É a ciência básica para diversos cursos, um instrumento científico importante para a expansão do conhecimento do homem e de suas atividades. Bicho-de-sete-cabeças para uns, prazer para outros. Uma área que já existe há séculos, porém uma profissão ainda muito recente. Por esse motivo muitos desafios precisam ser vencidos e um deles é a busca de reconhecimento fora da área acadêmica.
Hoje em dia, o matemático atua predominantemente como professor. No entanto, esse quadro já está vivenciando um movimento de expansão. "Não sabemos se essa alteração será rápida, mas já está ocorrendo. Algumas empresas, de diferentes áreas, já começam a perceber a importância desse profissional na composição de suas equipes de trabalho", conta o coordenador do curso da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Helder Cândido Rodrigues. "A principal área de atuação ainda é a docência".
Mas, onde estão concentradas as vagas fora da academia? A consultora da Career Center, empresa de orientação profissional, Marisa da Silva, assegura que entre os principais empregadores estão as empresas de informática e de tecnologia da informação. "E ainda empresas financeiras, de consultoria e pesquisa de mercado. Indústrias e centros de pesquisas também já começaram a contratar matemáticos para que trabalhem em conjunto com outros profissionais", descreve.
A disputa por melhores posições tem levado as empresas, de uma maneira geral, a utilizar tecnologias cada vez mais sofisticadas, apoiadas na prática computacional de modelos matemáticos. Justamente por esse motivo, aumenta a cada dia a demanda por profissionais com conhecimentos mais profundos e integrados de cálculos, estatística, probabilidade e computação. "São características que podemos encontrar nestes profissionais", diz a gerente de Recursos Humanos do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), Amélia Bayoud. "Hoje, o nosso diretor de Tecnologia é formado em Matemática. Ele consegue ter a visão de seu campo de atuação e, ao mesmo tempo, entende toda a parte conceitual necessária para o andamento do trabalho", aponta Amélia.
A opinião é unânime quando se fala no crescimento da profissão. "Na área de ensino, principalmente na rede pública, há uma grande carência de professores de Matemática", relata Rodrigues. O professor assegura ainda que o mercado fora da academia também está em expansão. "Embora quem deseja atuar fora dos campos da docência tenha mais dificuldade para ingressar no mercado de trabalho, as oportunidades são crescentes", conclui.
Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), existem, atualmente, 119 cursos de Matemática no Brasil. O total de matrículas anuais é de 21.518, contrapondo-se bastante ao número de concluintes, 2.844. "Reflexos da má informação. A graduação na área não é o aperfeiçoamento da matéria que se estuda no Ensino Médio, como muitos imaginam. É muito mais sofisticada", afirma o coordenador.