|
Mesmo existindo programas de incentivos para bolsas de estudos, a região norte possui o menor número de pessoas que cursam pós-graduação em todo o País. Em alguns casos sobram vagas e faltam pessoas, segundo o representante da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Emídio de Oliviera Filho.
Os números são baixos e crescem lentamente, assim como a população do local. A taxa de crescimento da população da Amazônia é de 0,76% (de 1996 a 2007). Dessa forma é difícil conseguir um aumente de doutores na região. "Se não formamos doutores na Amazônia, e rápido, vamos ter que levar até lá capital humano", explica Emídio afirmando que está medida seria prejudicial para a região, já que o ideal era formar as pessoas da própria região.
As bolsas atendem aos estudantes que não possuem vínculos empregatícios e que não possuam bolsas tanto da Capes como do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também não podem ser contemplados os estudantes que já possuem bolsas de fundações de amparo à pesquisa e de empresas. Emídio aponta que essa é uma das dificuldades da região "No Norte, muito alunos já estão empregados, então não podemos dar bolsa para que eles se dediquem somente ao estudo".
Dados do Capes mostram que dos 160 mil estudantes de pós-graduação no Brasil, um terço possui vínculo empregatício, um terço possui bolsa e um terço não possui nenhum apoio. A região norte possui os menores de índices de educação superior e o programa pretende minimizar as diferenças regionais do que diz respeito a cursos de pós-graduação. O Sudeste possui de 50% a 59% dos cursos, enquanto que o Norte possui de 3% a 5%.
"A região norte tem 6,09% de mestrados e 2,70% dos doutorados. Isso perdura desde 2004", diz Emídio. Ele também afirma que neste ano inteiro, a região pediu apenas 15 bolsas ao Capes. "Se não pede, não ganha. Foram apenas três pedidos de bolsa à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos)". Dos estados que compõe a Amazônia somente o Mato Grosso e Maranhão não estão na região.
Tentando reverter o quadro foi criado o programa "Acelera Amazônia". Uma das medidas tomadas logo no inicio do programa, em 2005, foi a recomendação de que o número de cursos de pós-graduação crescessem. Foram criados 18 mestrados e cinco doutorados, o que representou um crescimento de 25% para os programas de mestrados e 33% para os programas de doutorados se comparado ao ano anterior. O programa surgiu em 2004 durante as discussões do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) que apontaram um desequilíbrio dos investimentos nas regiões.
(Envolverde/Amazônia.org.br) |