08/02/2006

No mundo dos idiomas

Do you speak English? Tu hablas español?

Ahn?! Se a resposta for "no" ou, simplesmente, "não", você, jovem, tem de se preparar para investir pesado nos estudos para passar a ter uma reação mais adequada a tais perguntas. O que antes era um diferencial para o mercado de trabalho tornou-se um pré-requisito básico para ingressar neste tão concorrido meio. No entanto, nem tudo está perdido. Além dos cursos de idioma que podem ser realizados aqui mesmo no Brasil, você pode optar por programas educacionais no exterior, uma solução prática e rápida para este dilema.

Aulas teóricas, práticas e uma vivência ainda maior e mais efetiva com a língua estrangeira: esta, sim, é a iniciativa que valoriza o currículo na hora de procurar emprego. "Principalmente por tudo que esta experiência internacional representa. Além de ser um altíssimo investimento no desenvolvimento pessoal e profissional do intercambista, representa uma exposição em um ambiente muito maior, mais complexo e mais desafiador. E mais: pela oportunidade de aprendizado e pelo exercício da língua", explica a gerente da Task Force, uma divisão da Gelre - empresa especializada em recrutamento e seleção de profissionais -, Vera Modolo.

Estes cursos estão conquistando espaços cada vez mais destacados em função da globalização e das necessidades de um mercado ainda mais exigente. Atualmente, o inglês é o idioma mais exigido e, conseqüentemente, o mais procurado. O espanhol, no entanto, já vem alcançado patamares similares ao da língua inglesa. "Este é o investimento número um em carreira profissional. São competências globais para atuar em um mercado globalizado. Por isso, qualquer profissional, independentemente da área de atuação, tem que ter estas habilidades para poder participar disso tudo", assegura a assessora de Relações Interinstitucionais e Internacionais da UCS (Universidade Caxias do Sul), Luciane Stallivieri. "Não perder tempo é a principal dica para quem ainda não está engajado neste novo modelo."

Caça oportunidades

Os cursos de idioma no exterior geralmente são os principais responsáveis pelos carimbos no passaporte de jovens brasileiros rumo a uma experiência internacional. Isto porque oferecem um aprendizado mais natural de variadas línguas. Eles possibilitam, por exemplo, que o estudante aprenda, na prática, situações corriqueiras como fazer compras ou se locomover fora de seu país de origem, entre outras circunstâncias que em um curso no Brasil passaria apenas pela teoria.

"Não que os cursos que existem no país não sejam de boa qualidade. Mas os programas no exterior são mais eficientes, principalmente porque o contato da língua acontece dentro e fora da sala de aula", afirma a gerente de Marketing da STB (Student Travel Bureau), Claudia Martins. "Um aprendizado que demoraria anos para ser realizado no Brasil, em poucos meses é adquirido no exterior. A vivência é o principal contribuidor deste processo."

Este aumento pela procura de cursos de idioma no exterior tem propiciado o crescimento das ofertas cada vez mais personalizadas. Atualmente, as agências de intercâmbio e até mesmo os departamentos de Relações Internacionais de universidades brasileiras oferecem o aprendizado das mais diversas línguas em diferentes países. No entanto, os destinos e os programas variam de acordo com as necessidades, com o objetivo e com o perfil de cada intercâmbista. Além disso, estes cursos podem estar vinculados a outras atividades.

"Você pode fazer cursos de idiomas em qualquer fase da sua vida. Há programas voltados para crianças, outros para adolescentes e adultos. Existem cursos que podem variar de duas semanas a um ano. Tudo vai depender da sua necessidade de desenvolvimento, da sua vontade e disponibilidade", diz Claudia. A gerente garante ainda que todos os programas agregam, de uma forma ou de outra, aprendizados relevantes para o amadurecimento pessoal e profissional.

O mercado, contudo, prioriza profissionais cada vez mais especializados. "Os cursos de idioma específicos, ou seja, voltados para a área de atuação do intercambista, têm um peso ainda maior na contratação", garante Vera Modolo. "Os estudantes que buscam estes programas estão mais preocupados em buscar um aperfeiçoamento profissional do que um conhecimento de línguas".

Vera alerta ainda que os empregadores analisam criteriosamente as experiências adquiridas durante a viagem antes de levá-la em consideração. "São muitos os critérios analisados para dimensionar a pertinência desta viagem com a posição pela qual está candidatando", conta. "Estas experiências têm que, de uma forma ou de outra, estar relacionadas com o cargo e com as competências exigidas para a vaga."

Além desta experiência, é recomendável também prestar os testes de proficiência da língua estrangeira. Essa iniciativa tem se tornado cada vez mais necessária porque propicia comprovantes oficiais do aprendizado do idioma. "São testes internacionais, mundialmente reconhecidos. Um processo importante, principalmente, em termos de Brasil, em termos de contratação e em termos de mercado de trabalho", alerta Claudia.

Como tornar esta experiência ainda mais eficiente?

Antes de tomar qualquer decisão, seja referente ao programa, à língua escolhida para estudos, ao país ou à forma de acomodação, você deve levar em consideração uma série de detalhes que podem interferir direta ou indiretamente na qualidade e no resultado final da experiência. O primeiro passo é escolher o idioma: você deve levar em consideração quais os rumos profissionais e as expectativas de trabalho ou de experiência de vida que você pretende valorizar.

Depois, é essencial escolher o destino mais adequado. Neste momento, você deve levar em consideração o seu gosto pessoal, analisando pontos que correspondem a sua personalidade. Veja se você gosta de cidades grandes ou pequenas, frio ou calor, tranqüilidade ou agito. "Desta forma, você já tem 50% de chance de gostar e aproveitar o seu curso", afirma Luciane Stallivieri.

Pesquisar é a base de todo o processo de escolha. Conheça o clima, os costumes, a cultura e tudo que esteja relacionado ao país de destino. Além desses aspectos gerais, o que não pode ser deixado de lado são os detalhes específicos, tais como custo, duração, carga horária.

Depois disso, você deve optar pelo programa que melhor corresponde a suas necessidades. Analisar a idoneidade da escola e a qualidade dos cursos é essencial neste processo. "As escolas vinculadas às universidades do exterior podem ser boas opções para os universitários. Assim, poderão ter um aproveitamento duplo: além de desenvolver o curso de línguas, podem participar de palestras, workshops e especializações que acontecem no meio acadêmico", aponta Luciane.

Toda esta preparação deve ser realizada com, no mínimo, seis meses de antecedência. Mas o comprometimento com o curso no decorrer do programa também é um fator decisivo para o aproveitamento e resultado da viagem. "O aluno, acima de tudo, não pode perder o foco da viagem. Se ele fez todo um investimento financeiro em uma experiência internacional para o aprendizado de línguas, ele deve se focar neste objetivo, cumprindo com toda as tarefas e tirando proveito desta oportunidade", orienta a assessora.

A vivência com estudantes de outras nacionalidades, segundo Luciane, vai proporcionar um treinamento da língua ainda maior. "Evite ter amizades com outros brasileiros para se desprender no português. Você deve fazer de tudo para chegar ao fim da viagem com a sensação de que valeu a pena o investimento", conclui. No entanto, depois da viagem é preciso manter o contato com a língua para não deixar que o tempo atrapalhe estes conhecimentos.

Um exemplo prático

Unir o útil ao agradável pode ser ainda melhor e mais proveitoso. Por isso, o estudante Roberto Casari, 19 anos, optou por um programa que reunisse os estudos e o aperfeiçoamento da língua com a cultura e a diversão. Foram 12 meses na Austrália, onde treinou o inglês, cursou parte do Ensino Médio e, ainda, conheceu novas culturas, lugares e fez amigos. "Uma experiência que me proporcionou um amadurecimento pessoal. E mais: hoje tenho o inglês fluente, uma necessidade imposta por este mundo globalizado", conta.

Antes de concretizar o sonho, Casari investiu em um curso do idioma no Brasil. "A preparação é primordial para o sucesso do resultado. Foram dois anos de muitas pesquisas e estudos. Tudo para que a viagem saísse da mesma forma como tinha projetado em meus sonhos", ressalta. Uma experiência que ficará marcada para o resto de sua vida. "Foram muitas as dificuldades, mas nada que se comparasse aos aprendizados pessoais", conclui.

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