Mulheres vítimas de violência terão atendimento psicológico gratuito
Iniciativa do curso de Psicologia da Unisul, o grupo psicoterapêutico vai prestar atendimento a mulheres que sofrem violência doméstica. Os encontros começam no mês de maio e a participação vai ser gratuita
professora Neide Cascaes e a aluna Mônica de Souza. Elas estão à frente do grupo que vai atender mulheres vítimas de violência doméstica
O curso de Psicologia da Unisul vai prestar atendimento gratuito a mulheres vítimas de violência doméstica que residam na região da Amurel, por meio de um grupo psicoterapêutico. Os encontros vão acontecer no Serviço de Psicologia da Universidade, localizado no Bloco da Saúde, em Tubarão. A previsão é de que os trabalhos iniciem no mês de maio.
Os atendimentos vão ser realizados pelas acadêmicas de Psicologia Mônica de Souza e Claudia Juliana Ochs Maciel, ambas do nono semestre do curso, supervisionados diretamente pela psicóloga e professora mestre Neide Cascaes. De acordo com Neide, entre os objetivos do grupo está diminuir o medo que as vítimas têm de procurar ajuda. “Muitas mulheres sofrem sozinhas dentro de casa. Queremos que elas conheçam os seus direitos e esperamos que isso contribua, também, para que elas se sintam valorizadas”, explica a professora.
Os encontros vão acontecer semanalmente, sempre às quartas-feiras, das 15 horas às 16h30. O atendimento vai ser realizado em grupo. “Isso vai fazer com que as mulheres se reconheçam e não se sintam diferentes. Este é o grande benefício deste tipo de atendimento”, ressalta Neide.
Segundo a professora, a ideia de formar um grupo psicoterapêutico para atender a mulheres vítimas de violência doméstica é antiga. “Mas não conseguíamos efetivá-lo”. Neste semestre, ele vai ser colocado em prática como parte do Estágio Curricular da acadêmica Mônica de Souza, que escolheu este tema. Ela faz estágio na Delegacia da Mulher, em Tubarão, e as mulheres que chegarem à delegacia vão ser orientadas a participar do grupo.
“Nós vamos fazer um trabalho de acolhida para essas mulheres. Acredito que participar desse projeto vai contribuir muito para a minha formação profissional”, diz Mônica. Para a estudante, atuar na área de psicologia social é uma questão de paixão. “Sempre quis fazer esse tipo de trabalho. Quando a gente está nessa área, tem um crescimento pessoal muito grande”, destaca.
A professora Neide Cascaes ressalta que a violência contra a mulher é uma realidade na cidade de Tubarão. “Todos os dias, pelo menos uma mulher é agredida”, afirma. Ainda de acordo com ela, é necessário que haja um trabalho de atendimento aos filhos e ao próprio agressor. “Quem bate na mulher, bate em toda a família. Por isso os filhos também precisam de apoio, porque a possibilidade de que eles reflitam este comportamento é muito grande. Quanto ao agressor, acredito que a prisão não resolva o problema. Ele também precisa de atendimento psicológico e, muitas vezes, psiquiátrico”.
O trabalho do grupo psicoterapêutico começa sem prazo para terminar. A intenção é que ele continue nos próximos semestres. Para participar, basta que a mulher vítima de violência doméstica entre em contato com o Serviço de Psicologia da Unisul, pelo telefone (48) 3621.3071. Neide Cascaes assegura que o sigilo em relação às participantes é absoluto. “Elas só vão ter contato com as estagiárias, que são preparadas para isso, e comigo”, reforça.