08/03/2014

Mulheres conquistam espaço na Engenharia Civil

Dia_internacional_da_mulher

No Dia Internacional da Mulher – 8 de março - ,elas mostras que também podem ter destaque no mercado de trabalho dominado por homens    

Tudo começou nos Estados Unidos, quando as mulheres protestaram contra más condições de vida e trabalho, na primeira década do século XX. Hoje, apesar do Dia Internacional da Mulher, comemorado neste sábado, 8, ter ganhado um significado mais comemorativo e comercial, ainda há motivos para continuar se manifestando por direitos iguais. Que o digam Anelise, Maria Cristine e Marceli, entrevistadas desta reportagem. Além de mulheres, elas têm algo mais em comum: escolheram uma profissão por muito tempo considerada predominantemente masculina, a Engenharia Civil.

A falta de informação é a raiz de todo preconceito. Quando se pensa em engenharia, por exemplo, imagina-se um homem de capacete construindo um prédio. Da mesma forma que se imagina um engenheiro mecânico trabalhando em máquinas e um engenheiro elétrico como eletricista. Contudo, os números mostram que este estereótipo está mudando. O INEP/MEC revelou em 2011 que o número de mulheres que está cursando engenharia cresceu 67,8% em 20 anos; em comparação, o número de homens subiu 38,7%. Na Unisul de Tubarão não é diferente. De 2011 para 2014, o número de matrículas de mulheres no curso de Engenharia Civil passou de 29 para 65 em Tubarão.

A aluna Maria Christine Costa, do nono semestre, optou por ingressar no curso, apesar de já ser formada em Relações Internacionais e ter viajado para o exterior, por ver futuro na carreira. Em uma sala com 70 pessoas, somente 20 eram mulheres, “Acho que assim como eu, a maioria das mulheres cansaram de fazer apenas aquilo que era conceituado para mulheres. Vejo nas minhas amigas que as razões são diferentes, mas o objetivo é o mesmo: conquistar uma profissão de sucesso e ser sustentada por ela. Todo o resto (casamento, filhos) é consequência e vai ter que se adaptar às nossas vidas” afirma a futura engenheira. A mudança de planos deu tão certo que hoje ela já trabalha no Gabinete da Secretária de Infraestrutura na Prefeitura de Tubarão e é sócia em um negócio pioneiro de consultoria e assessoria geotécnica e de legalização de grandes áreas.

A Engenharia Civil também não foi a primeira opção da estudante Anelise Gonçalves, do oitavo semestre, mas hoje ela não se vê trabalhando em outra área. Na turma dela não havia uma desigualdade de gênero tão significativa, porém com o passar dos semestres essa diferença foi diminuindo. “Já fiz disciplinas onde havia apenas eu de mulher na sala de aula. Mas hoje em dia a mulher está mais em evidência no mercado de trabalho, e quando há profissionalismo e competência, não há espaço para preconceitos” assegura Anelise, que está trabalhando como estagiária na Secretária de Obras de Tubarão.

Destacada como melhor aluna da turma de Engenharia de 2013, Marceli Moro, que já se formou e atua na área, diz que nunca se incomodou pela profissão ser predominantemente masculina até há pouco tempo. Já em relação a sua inserção no mercado de trabalho, Marceli afirma que sentiu um pouco de discriminação. “Na área de engenharia senti que há restrições para mulheres para trabalhar em obras e também um certo preconceito, pois lá praticamente só homens trabalham, mas isso a mulher está mudando aos poucos. A sua capacidade está cada vez mais evidente”.

Realmente os dados não negam o que se encontra em evidência: os esforços das mulheres há décadas não estão sendo à toa. O dia 8 de março é só um lembrete das batalhas que já passaram e as que ainda estão por vir. De acordo com números do Panorama Laboral da América Latina e do Caribe 2013, feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela primeira vez foi registrado taxa média de 50% de participação feminina no mercado de trabalho. Um grande avanço. No entanto, os desafios ainda estão aí: a taxa de desemprego entre as mulheres, por exemplo, continua 35% maior que a de homens.

Na foto: Maria Christine Costa Costa e Anelise Gonçalves

Cilene Macedo

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