Monkey See, Monkey Do
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
"Monkey see, monkey do" — isto é, "macaco vê, macaco faz" — representa uma sociedade que repete atos de forma automática, sem discernimento e por medo de se sentir diferente. Trata-se de um período em que as pessoas simplesmente ecoam imbecilidades, demonstrando que as mentiras e falácias que sustentam sua ignorância são mais cômodas que a verdade que confronta sua realidade, explicitando, de forma gritante, a ausência de uma sinapse cognitiva.
Trata-se de algo recorrente nos principais meios de manipulação, como as mídias, a política e a religião, que encontram subterfúgios para persuadir os indivíduos a agirem de forma impulsiva, além de ecoarem discursos polarizados e imbecilizados. O fato é que uma mentira não se transforma em verdade pelo simples fato de ser repetida várias vezes. A mentira sempre será mentira; a única verdade reside em perceber que pessoas lidam melhor com as mentiras do que com as verdades.
Nietzsche (1993)[1] é enfático quanto à manipulação, principalmente sob o viés religioso, ao afirmar que a moral é uma mentira necessária. Se observarmos, temos tido vários exemplos de representantes religiosos pentecostais e políticos envolvidos com roubo, corrupção, estupro e assédio; enfim, com ações que degradam a natureza humana, remetendo-a ao seu período bestial.
É interessante perceber que, muitas vezes, o tempo se encarrega de trazer consigo a verdade, mas nem todos terão o discernimento para entendê-la. Isso ocorre porque existe uma estratégia da política e da religião em transformar a mentira em uma realidade imaginada que, para Harari (2016, p. 40) [2], “é algo em que todo mundo acredita e, enquanto essa crença partilhada persiste, a realidade imaginada exerce influência” na sociedade e no entorno ao qual esta mentira está sendo propagada.
O fato é que, segundo Harari (2016), uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade, e foi com este pensamento que Hitler convenceu milhares de pessoas a fazerem o que fez com judeus, ciganos, dentre outros povos. Para o autor supracitado, o homem tem a capacidade de saber e não saber ao mesmo tempo; afirma, ainda, que somos capazes de saber algo quando pensamos sobre o assunto, todavia, na maior parte do tempo, não pensamos. Preferimos nos acomodar com a mentira que não nos tirará da zona de conforto a confrontá-la com uma verdade que nos fará enfrentar a realidade.
Sendo assim, o autor esclarece que verdade e poder, em certo momento, se separarão. Isso porque, se você quer poder, “em algum momento terá de disseminar mentiras. Se quiser saber a verdade sobre o mundo, em algum momento terá de renunciar ao poder. Terá de admitir coisas” (HARARI, 2016, p. 255).
O fato é que nossa sociedade está cheia de "macacos" a repetirem o que veem. A forma de fazê-los discernir é por meio de uma educação que desenvolva o protagonismo cognoscente, a cidadania, o senso crítico e a autonomia intelectual dos educandos, para que não se tornem números contabilizados pelas mídias, religiões e políticos como gado de manobra ou pessoas totalmente imbecilizadas e docilizadas.