02/02/2020

Modelo de organização – Burocracia Mecanicista

Jorge Barros

Pós-graduado e Mestre em Administração e Gestão Escolar, Doutor em Administração e Gestão Educativa e Escolar, Professor no 2.º Ciclo do Ensino Básico no Agrupamento de Escolas Dra. Laura Ayres (ESLA), Quarteira

 

A maioria das organizações e das empresas foi criada a partir da era industrial quando começaram a proliferar as indústrias e as fábricas, onde o modelo organizacional mais utilizado foi o modelo mecanístico ou mecanicista, também denominado modelo burocrático mecanicista. Nesta altura, este modelo serviu os seus protagonistas uma vez que era perfeitamente adequado para uma época de relativa estabilidade e previsibilidade dos negócios, em que os ativos financeiros - como capital, edifícios, máquinas, equipamentos, matérias-primas - predominavam como os mais importantes patrimónios empresariais. O sinal de prosperidade era o aumento físico do tamanho empresarial.

Os modelos burocráticos, de inspiração Weberiana, assentam no princípio de que a burocracia das organizações formais é o modo mais eficaz de gestão e assenta principalmente numa obsessão: o controlo.

Estes modelos caraterizam as organizações que executam tarefas organizacionais rotineiras, realizadas através de especialização, regras e regulamentos muito formalizados, tarefas que são agrupadas em departamentos funcionais, autoridade centralizada, pequena amplitude de controlo decisório que acompanha a cadeia de comando. Esse trabalho operacional é, ainda, na sua maior parte simples e repetitivo, e os processos de trabalho são consequentemente muito estandardizados. Além disso, apresentam um peso bastante forte da tecnologia, que faz pressão para a estandardização dos processos em que as tarefas se tornaram especializadas e o trabalho altamente estandardizado. Caracteriza-se por comportamentos bastante formalizados e relativa descentralização horizontal. A burocracia mecanicista é típica de empresas médias de produção em massa e organizações maduras, organizadas em divisões funcionais, que centralizam a tomada de decisão e que se encontram em ambientes simples e estáveis, em que a sua estrutura administrativa é elaborada e onde se verifica uma distinção nítida entre os operacionais e os funcionais. Este modelo-tipo é eficiente em organizações de grande dimensão com um ambiente simples e estável e com um tipo de trabalho rotinizado e estandardizado.

O modelo burocrático baseia-se no pressuposto de que é possível definir a partir do topo uma ordem racional e formal que é seguida por seres humanos racionais.

Nestas organizações, as tarefas operacionais como são simples e repetitivas são realizadas por operacionais, na sua generalidade, pouco qualificados. Esta situação mostra como neste modelo a formação é reduzida, por vezes a poucas horas ou semanas e geralmente é realizada pela própria organização. O cumprimento dos objetivos efetiva-se por tarefas definidas que se realizam por pessoas, independentemente das suas caraterísticas, pelo que o cumprimento das mesmas reveste-se de impessoalidade.

Nestas organizações, a preocupação dos quadros de topo centra-se, em grande parte, na afinação minuciosa das suas máquinas burocráticas. São feitas todas as tentativas para eliminar a incerteza, de modo a que a burocracia mecanicista possa funcionar sem interrupções e sem deslizes. Estes tipos de estruturas são muito propensas ao conflito, pelo que na burocracia mecanicista torna-se necessário existirem sistemas de controlo para os conter. A formalização é de aplicação limitada aos níveis intermédios porque o trabalho é mais complexo e menos previsível do que no centro operacional. O processo estratégico desenrola-se de cima para baixo, isto é, do vértice estratégico para o núcleo das operações e o planeamento desempenha a este nível um papel fulcral. O tipo de trabalho da burocracia mecanicista encontra-se, sobretudo, em ambientes simples e estáveis.

O principal ponto forte deste modelo que muitas organizações adotam como, por exemplo, uma agência de postos de segurança, uma prisão, uma companhia aérea, um grande construtor de automóveis, é a sua capacidade para realizar atividades padronizadas de maneira muito eficiente. Este tipo de organizações reúne as especializações afins em departamentos funcionais, o que lhes proporciona economia de escala e duplicação mínima de pessoal e de equipamentos. Trata-se, ainda, de um modelo pouco oneroso que, normalmente, se sai bem com executivos menos talentosos nos níveis médio e inferior de gerência.

Um dos pontos fracos da burocracia mecanicista passa pela obsessão de obediência às regras, na medida em que quando na organização surgem casos que não se ajustam exatamente às regras já estabelecidas, os funcionários não têm espaço para inovar e resolvê-los, pelo contrário, a burocracia só é eficiente quando os seus funcionários enfrentam problemas já conhecidos e para os quais já se tenham estabelecido regras programadas de decisão. Outro ponto fraco pende-se com a especialização, uma vez que esta gera, por vezes, conflitos entre as unidades, podendo as metas das unidades funcionais sobrepor-se às da organização como um todo.

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