Metade dos universitários não termina a graduação
Por Cássia Gisele Ribeiro, do Aprendiz
Um estudo feito pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia, a partir do Censo da Educação Superior, mostra que somente metade dos alunos que ingressam anualmente no sistema de ensino superior consegue, quatro anos depois, se formar.
O estudo comparou o número de concluintes do ano de 2005 com o de ingressantes quatro anos antes. Essa relação é chamada de taxa de titulação. No caso do Brasil, ela foi de 51%. Os 49% restantes representariam, portanto, o contingente estimado que evadiu do sistema.
"No Brasil, são raríssimas as instituições de ensino superior que possuem um programa profissionalizado de combate à evasão, com planejamento de ações, acompanhamento de resultados e coleta de experiências bem sucedidas", criticam os pesquisadores Roberto Leal Lobo, Maria Beatriz Lobo e Oscar Hipólito, autores do estudo, em artigo sobre o tema.
Comparações feitas pelo estudo mostram que a taxa é alta quando comparada a outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento. No Japão, apenas 7% dos alunos não concluem o curso após quatro anos. No México, esse percentual chega a 31%. O patamar brasileiro é próximo ao da Colômbia (51%).
Uma outra forma de avaliar a evasão é estimando os dados anuais sobre quem abandona a faculdade. Nesse caso, o estudo mostra que a taxa de abandono em todo o sistema foi de 22%, que corresponde a 750 mil alunos que deixaram de estudar em 2005. Essa taxa é maior na rede privada (25%) do que na pública (12%). Ao longo dos últimos cinco anos, tanto a taxa de evasão anual quanto a evasão em quatro anos ficaram estáveis.
Para os autores da pesquisa, as instituições de ensino superior precisam adotar novas estratégias para evitar que o aluno deixe de estudar, em vez de apenas se preocuparem em atrair estudantes. "Embora os estudantes citem frequentemente razões financeiras para a evasão, estas na verdade refletem o produto final e não origem da decisão de sair", afirmam.
Os pesquisadores acreditam que uma das principais razões para a desistência é o desestímulo com o curso ou a falta de conhecimento prévio sobre a carreira escolhida no vestibular. "Se o ensino for de qualidade e houver bons professores, no entanto, o aluno fará de tudo para continuar estudando".
A diretora do Instituto Superior de Educação de São Paulo (Singularidades) Gisela Wajskop também acredita que as razões quase sempre não são financeiras. Segundo ela, a maioria dos jovens não tem visão de longo prazo e não escolhem carreira em função de um projeto individual associado a mudanças sociais. "Nesse sentido, as escolhas acabam sendo imediatistas e a realidade não responde à altura de suas expectativas", diz.
A doutora afirma que é necessário que aconteça uma revisão profunda nas estratégias de ensino dentro das instituições de ensino superior. "É preciso desenvolver novas formas de participação dos jovens na aprendizagem de novos conhecimentos".