Metacognição e o Papel do Pensar sobre o Pensar
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Muitos associam a inteligência ao raciocínio lógico, à rapidez na solução de problemas ou a uma grande capacidade de memorização. Contudo, a habilidade de "pensar sobre o próprio pensamento" e realizar uma análise racional sobre as razões de se pensar de determinada forma é o que caracteriza a metacognição.
Jou e Sperb (2006) [1] salientam a existência de um postulado no qual a mente é um sistema cognitivo que habilita o indivíduo a interagir com seu meio, monitorando, autorregulando e potencializando o próprio sistema. Para as autoras, a metacognição define-se, portanto, como a capacidade do ser humano de “ter consciência de seus atos e pensamentos”. Complementando essa visão, Corso et al. (2013) [2] afirmam que a metacognição abrange também emoções e motivações, descrevendo atividades mentais de planejamento, monitoramento e controle das próprias ações.
Rocha et al. (2023) [3] contribuem ao afirmar que a metacognição é uma influência determinante para a tomada de decisão conforme o contexto. Trata-se de uma função facilitadora no processo de aprendizagem que não se limita ao âmbito acadêmico, estendendo-se por todo o processo de construção do conhecimento em variados contextos, como o social, profissional e político. É interessante pontuar, conforme Rocha et al. (2023), que ao trabalhar a metacognição sob a diversidade temática da percepção, estimula-se um processo reflexivo que facilita o monitoramento de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Isso inclui o julgamento de conteúdos interiorizados, permitindo o desenvolvimento da autoconsciência e do autoconhecimento (o "aprender sobre si").
Por fim, nota-se em Ribeiro (2003) [4] que a metacognição é uma forte aliada ao processo de ensino-aprendizagem. Ela atua como influenciadora da motivação, oportunizando aos alunos gerirem seus próprios processos cognitivos. Isso propicia o senso de responsabilidade pelo desempenho escolar e suscita confiança nas próprias capacidades. Em suma, a metacognição está ligada à forma de perceber, recordar, pensar e agir; ao regular e organizar o processo do conhecimento, ela permite ao indivíduo alcançar autonomia cognitiva e controle sobre seus pensamentos.
[1] JOU, G. I. DE .; SPERB, T. M.. A metacognição como estratégia reguladora da aprendizagem. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 19, n. 2, p. 177–185, 2006.
[2] CORSO, H. V. et al.. Metacognição e funções executivas: relações entre os conceitos e implicações para a aprendizagem. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 29, n. 1, p. 21–29, jan. 2013.
[3] ROCHA, F. E. M. da. et al.. METACOGNIÇÃO, AUTOPERCEPÇÃO E AUTOCONSCIÊNCIA EM CRIANÇAS DE 9 A 12 ANOS. Psicologia Escolar e Educacional, v. 27, p. e249951, 2023.
[4] RIBEIRO, C.. Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 16, n. 1, p. 109–116, 2003.