17/12/2013

Mesmo com bons números, investimento no ensino médio poderia crescer

Em dez anos, o investimento público por aluno no ensino médio quase triplicou. Em 2000, investiu-se R$ 1.557 por estudante, enquanto em 2011, ano dos últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram aplicados R$ 4.212. De 2010 para o ano seguinte, o aumento foi de 33,6%.

Neste período, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também cresceu: em 2005, o Ideb do ensino médio no Brasil era de 3,1; seis anos depois ele subiu para 3,4. Mesmo assim, não se pode detectar uma relação direta entre o investimento em educação e a melhora da qualidade da educação. O dinheiro faz sim diferença, mas os gastos públicos com o ensino médio ainda são pouco claros e não é possível dizer que eles são revertidos diretamente em melhorias, diz o presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca) e professor da Universidade de São Paulo José Marcelino Rezende Pinto.

 

​O pesquisador vê um impacto claro dos insumos no desempenho do aluno. A Coreia do Sul, quinta colocada no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), por exemplo, gasta três vezes mais por aluno do que o Brasil, afirma Pinto. Já nos Estados Unidos o índice é seis vezes maior que no Brasil. O investimento brasileiro está quatro vezes abaixo da média dos países analisados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2010.

"Não dá para avaliar o desempenho só pelos números, pois você trabalha com muitos elementos. Não é porque o investimento aumenta 10% que a educação melhora 10%. Você de fato melhora quando pode contratar os melhores profissionais", ressalta Pinto.

Comparado aos anos inicias e finais do ensino fundamental, o Ideb do ensino médio é o mais baixo, o que menos cresceu e o que menos muda quando o investimento por aluno aumenta. Para Pinto, o ensino médio vive uma grande crise de identidade. "Ele não faz sentido. Você precisaria de uma escola que preparasse para a vida e para o trabalho. Somente a rede técnica federal dá essa preparação e tem desempenho bom. Mas aí se gasta muito mais", diz, destacando que a preparação para o vestibular no sistema público também é deficiente.

Investimento ainda é pequeno
Investir R$ 4.212 anualmente (equivalente a R$ 351 mensais) por cada aluno do ensino médio ainda é pouco. Basta pensar que a mensalidade média de uma escola privada em Minas Gerais, por exemplo, beira os R$ 1.000, enquanto em Goiás gira em torno dos R$ 700 e, entre as dez melhores escolas paulistanas no Enem 2012, a mensalidade mais baixa é de R$ 1.345. Pinto ressalta que ainda é preciso considerar que o aluno de escola privada costuma ter uma bagagem cultural maior e, por isso, seria necessário investir ainda mais na educação pública para que haja uma equivalência.

Com uma arrecadação tributária de 35% do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil poderia investir mais do que os 5,6% do PIB aplicados em educação hoje, segundo os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

É preciso levar em conta que, do dinheiro que hoje é destinado à educação, uma parte importante não é convertida em investimentos, diz Pinto. Desvios e gastos com professores aposentados, por exemplo, diminuem o montante que chega às escolas.

 

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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