Merenda escolar terá carne de ovelhas e cabras no norte de Minas
Por Eliza Caetano
Chef de cozinha ensina receitas a funcionários de escolas e hospitais em iniciativa que integra projeto de desenvolvimento do setor.
Belo Horizonte - No município de Francisco Sá (MG), um dos núcleos do projeto de Ovinocaprinocultura da região de Montes Claros, o chef de cozinha Anderson Luiz ensinou, durante três dias, 35 funcionários de escolas municipais, hospitais e restaurantes a cortar e preparar a carne de ovelhas e cabras. A iniciativa da prefeitura da cidade pretende ajudar a criar, nos habitantes da região, o hábito do consumo da carne.
Essa é uma das metas do projeto desenvolvido com a metodologia de Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor) para o setor. Desde 2004, cerca de 100 produtores de 25 cidades da região buscam aumento de renda em 30%, do tamanho dos rebanhos em 33% e do volume de vendas em 35% até 2007.
O projeto tem a parceria da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Norte de Minas (Accomontes), da prefeitura de Francisco Sá, de Coração de Jesus, Nova Porteirinha, São João da Lagoa e Montes Claros, entre outros.
“Queremos acabar com os preconceitos em relação a esse tipo de carne e, para isso, primeiro precisamos ensinar a população a saboreá-la”, explica a técnica do Sebrae em Montes Claros, Wiviany Freitas. Espera-se que, com a capacitação, o consumo de carne de cordeiro e cabrito no município aumente e que ela seja encontrada nas escolas, restaurantes e açougues de Francisco Sá.
“Acredito que no próximo ano letivo já teremos o carneiro na merenda das crianças de Francisco Sá e vamos estender o trabalho para outras cidades”, afirma Idalina Almeida.
“Os pratos são realmente deliciosos”, elogia o produtor e proprietário de açougue José Moreira Júnior. Dono de um rebanho de cerca de 60 animais, ele pretende continuar investindo. “Minha meta é, devagarzinho, chegar a 500 cabeças”, afirma.
O empresário conta que, em seu açougue, a venda da carne de ovinos e caprinos ainda é muito pequena. “São cerca de dez bois e entre cinco e oito porcos por semana. Acredito que a venda da carne de ovinos e caprinos alcance a dos suínos”, diz.
De acordo com o prefeito de Francisco Sá, Ronaldo Ramon, a criação tem grandes vantagens para os produtores da região. “O clima é propício e fica mais barato que a criação de bovinos. Só falta popularizar a carne”, acredita. Por isso, ele pretende introduzir a carne na merenda escolar de quatro mil crianças do município, além de fornecer aos pacientes de hospitais.
Através do projeto, os produtores instalaram uma central de negócios que irá negociar com frigoríficos da região e também de outros estados. “Temos contatos com empresas de Goiás, São Paulo e Brasília, mas vamos investir, por enquanto, no mercado regional”, explica Wiviany Freitas.
Agentes locais irão levantar o rebanho e a quantidade de animais prontos para o abate. Assim, a central poderá negociar quantidades maiores. “Iremos melhorar o preço, cortar o atravessador que chega e compra, na propriedade, o animal vivo por R$ 2 o quilo”, explica Idalina Almeida. Ela conta que o preço pode chegar a R$ 3 por quilo com a central.