Meninas privadas da educação
Adital - Um informe da organização internacional Save the Children chama a atenção sobre os 58 milhões de meninas que se vêem privadas da educação não só pela pobreza, mas, em muitos casos, também por seu gênero. Uma menina não escolarizada tem muito mais possibilidades de viver na pobreza, casar-se cedo, morrer durante o parto, perder um filho por causa de doenças ou ter muitos partos consecutivamente. Num país em desenvolvimento, um ano a mais de ensino escolar para as meninas suporia salvar a vida de pelo menos 60.000 crianças. A Bolívia, ao lado do Quênia, Camarões e Bangladesh são, entre os 71 países em desenvolvimento, um dos que mais progressos realizaram quanto à educação das meninas.
A educação de meninas é a chave para mudar o destino de uma nação, afirma Alberto Soteres, diretor geral da Save the Children Espanha. "A importância da educação primária é tão óbvia que é difícil entender por que tantas crianças, especialmente meninas, não vão à escola.
Em todo o mundo, cerca 103 milhões de crianças em idade de ensino primária não vão à escola. Destes, 58 milhões são meninas. Duas terceiras partes dos adultos analfabetos são mulheres. Além disso, os filhos de mães sem formação correm duas vezes mais perigo de morte ou desnutrição que os filhos de mães com educação secundária ou superior.
Ruanda, Iraque, Malawi e Eritréa ocupam os últimos postos quanto aos progressos dos países, devido, em grande parte, a uma combinação de fatores negativos, que incluem conflitos, Aids, e um crescimento rápido da população. Olhando rumo ao futuro, o informe identifica 11 países em vias de desenvolvimento que terão mais possibilidades de obter êxitos na inclusão das meninas na escola e poderão se beneficiar de taxas de sobrevivência infantil mais altas, bem como melhores níveis de vida nos próximos 10 anos, e isto como resultado do investimento das meninas na educação. Entre eles estão Belize, Costa Rica, Cuba, Bolívia e México, na América Latina.
Um ano adicional de ensino pode ter um efeito de onda expansiva em todas as partes de una nação. O resultado é o seguinte: dezenas de milhares de vidas salvas devido a índices de mortalidade materna e infantil inferiores. Acabar com o analfabetismo reduz a vulnerabilidade à Aids. Assim, a taxa de infecção é 40% menor em países onde a brecha é inferior, e 5% em países onde a brecha é maior.