02/02/2011

Manifestantes contra a homofobia pedem apoio aos novos deputados

O grupo pediu aos parlamentares a criminalização da homofobia e regulamentação da união estável. Representantes do movimento contra a homofobia fizeram manifestação no Salão Verde da Câmara, nesta terça-feira, durante a cerimônia de posse dos deputados federais. Segundo o presidente do grupo LGBT Estruturação, de Brasília, Michel Platini, o objetivo é pressionar o Congresso a reconhecer os direitos dos homossexuais. Entre as demandas do movimento estão a criminalização da homofobia e a regulamentação da união estável.

"O Legislativo é o único poder que não avançou em absolutamente nada no Brasil. O Judiciário já avançou, a Presidência da República, os governos estaduais já têm avançado, mas a Câmara até hoje não aprovou nada em defesa dos direitos dos homossexuais”, assegurou Platini. “Nós viemos aqui dizer aos deputados que estamos muito vivos e vamos repetir a cada segundo que os nossos direitos devem ser reconhecidos", complementou.

Presente no Salão Verde durante a manifestação, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse ser contrário a uma legislação especial para os homossexuais. "Não sou homofóbico, mas não posso admitir que eles venham a ser uma categoria a parte. Eles não têm nada a oferecer à sociedade. ”

Kits para as escolas
O parlamentar, que é candidato à Presidência da Câmara, também criticou a proposta do Ministério da Educação de distribuir kits para orientar alunos das escolas públicas sobre o preconceito contra homossexuais. Em sua avaliação, o material estimula o homossexualismo e abre uma porta para a pedofilia. "Não admito que nas escolas do primeiro grau seja distribuído um kit gay para a garotada”, ressaltou.

Bolsonaro disse que vai convocar o ministro da Educação e pedir que o material seja enviado a todos os deputados antes de ser distribuído nas escolas.

Contra a coletividade

O líder do DEM, deputado ACM Neto (BA), classificou de lamentáveis as declarações. “O deputado Bolsonaro tem opiniões que não traduzem o pensamento da coletividade da Casa. Não é a primeira nem será a última vez que ele dá declarações polêmicas”, disse.

Também contrário às declarações, o líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), disse que são preconceituosas, homofóbicas e antidemocráticas. “Acho muito negativo que ele faça propostas contra as liberdades individuais e que gerem preconceito e violência.”

(Envolverde/Agência Câmara)

 
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