10/12/2005

Maior demanda por educação superior

Adital - Mais estudantes têm aspirado à educação superior nos países com rendas médias, em que as matrículas para educação superior aumentaram 77% na última década. Estas cifras devem ser comparadas com o aumento de 43% nos países ricos, segundo um novo estudo realizado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE). Intitulado "Education Trends in Perspective - Analysis of the World Education Indicators" (Perspectiva das Tendências da Educação - Análise dos Indicadores da Educação Mundial), o estudo analisa a demanda de diferentes níveis de educação, desde a educação primária até a superior, entre 1995 e 2003, e analisa os critérios e preferências de 19 países, com rendas medias, participantes no Programa Mundial relativo aos Indicadores da Educação (WEI), da UNESCO e OCDE.

Os resultados são surpreendentes tendo em vista o custo relativamente elevado da educação superior. Inclusive, para as nações ricas que fazem parte da OCDE é difícil mobilizar recursos financeiros necessários para manter, e não digamos aumentar, o acesso a níveis superiores de educação. A situação é muito diferente nos países do WEI. Na maioria destes países, desde 1995, a queda da natalidade produziu a baixa ou o desaparecimento da pressão da população nos sistemas de educação primária. No entanto, as populações em idade de incorporar-se aos ciclos de educação secundária e terciária continuam crescendo. Estes estudantes e suas famílias aspiram geralmente a níveis superiores de educação e cada vez mais contam com mais meios para custeá-los.

Como conseqüência, as matrículas nos colégios superiores de educação secundária, nos países do WEI, cresceram 39% entre 1995 e 2003, frente aos 5% de países da OCDE. O número de alunos cresceu de 5,9 mihões para 6,5 milhões no Brasil, por exemplo, enquanto que as matrículas se multiplicaram por dois no Paraguai (de 105 mil para 211 mil).

Entretanto, o crescimento maior foi no nível da educação superior. O número de alunos no ensino superior alcançou mais que o dobro no Brasil e cresceu mais de 25% no resto dos países do WEI, salvo nas Filipinas (20%). Alguns países do WEI superaram os países da OCDE em proporção de jovens que cursam universidades (licenciatura, mestrado ou doutorado). Nos países da OCDE, um de cada dois jovens inicia estes estudos. Na Argentina e no Chile, esta proporção é de 62%, 61% e 53%. Uma de cada três pessoas entra na universidade no Uruguai.

O aumento da demanda na educação reflete o crescente reconhecimento de seus benefícios econômicos e sociais, tanto para os indivíduos, como para as sociedades. Apesar da crise monetária que atingiu vários países do WEI nos últimos anos da década de 90, todos eles aumentaram a percentagem de seus investimentos nacionais dedicados à educação (30% ou mais no Chile, na Jamaica e no Paraguai, por exemplo).

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