06/11/2012

Mãe denuncia filha por uso do celular no Enem e candidata é desclassificada

Agência Estado - iG Último Segundo - São Paulo, SP

A mãe de uma candidata ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Sorocaba, no interior de São Paulo, denunciou no domingo a filha por pedir ajuda pelo celular para fazer a prova. Nesta segunda-feira, ela afirmou que não se arrepende. `Eu não queria, de forma alguma, prejudicar a minha filha, mas eu não acho certo o que ela fez`, justificou. Durante mais de uma hora, Maria Lúcia Diniz Abdalla e a filha trocaram mensagens enquanto a garota fazia a prova.

Embora tivesse feito menção de ajudá-la, a mãe procurou os responsáveis pela aplicação do exame e alertou sobre a irregularidade cometida pela filha. A garota de 17 anos, que fazia a prova como treineira, foi localizada e eliminada.

A mãe acredita que a falha maior foi da organização que permitiu a entrada da filha com o celular na classe. `Minha filha não estava concorrendo para valer, mas outras pessoas podem ter usado o mesmo expediente para se favorecer em prejuízo dos demais concorrentes`. Ela contou que outra filha fez a prova do Enem, não usou o celular e poderia ser prejudicada. Enquanto falava com a filha treineira, Maria Lúcia decidiu ir até o local da prova, na Universidade de Sorocaba, para alertar os fiscais.

A estudante fez o primeiro contato com a mãe, por meio de mensagem ao celular, às 14h11. Ela passou um endereço de internet citado numa das questões de português e pediu à mãe que fizesse o acesso para ajudá-la na resposta. Também perguntou o significado de mediana, em matemática, e citou o tema da redação. Num dos trechos da conversa virtual, que seguiu até as 15h06, a mãe afirma: `Vou te ajudar a conseguir uma nota boa.` A filha responde: `Vou mandar o site de port (português) e o começo da pergunta.` A seguir, a jovem posta: `Arquipélagos pt a pintura e o poema.` A mãe responde: `A tia cris vai te ajudar, fique aí.`

A organização do Enem informou que os candidatos eram orientados a depositar aparelhos eletrônicos em sacos plásticos que eram lacrados e guardados sob a carteira, podendo ser resgatados somente ao término da prova. Após a denúncia da mãe, um rastreador foi utilizado para localizar o equipamento ativo. Os organizadores não explicaram como a garota conseguiu ficar mais de uma hora com o celular em uso. Representantes do Ministério da Educação informaram que eventuais falhas na fiscalização serão apuradas.

Durante todo o exame, 65 candidatos foram desclassificados por publicarem fotos da prova nas redes sociais.

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