29/09/2006

Livro estuda capital cultural de vestibulando

Pesquisa utiliza ferramentas da sociologia e da computação

A relação entre o grau de urbanização de municípios paulistas e o capital cultural dos vestibulandos da UNESP é demonstrada em dissertação de mestrado publicada pela Fundação Vunesp, como parte da coleção Pesquisa Vunesp. O estudo inova no método, ao promover interface entre a computação e a sociologia para um melhor entendimento do perfil do candidato. O conceito capital cultural, segundo o estudo, designa um conjunto de potencialidades que formam a constituição intelectual de uma pessoa, obtida a partir de diversas fontes.

A análise da pesquisa, realizada por Carlos José de Almeida Pereira, envolveu os cursos de Agronomia (integral), Odontologia (integral), Ciência da Computação (integral/diurno), Engenharia Elétrica (integral), Engenharia Mecânica (integral), Medicina veterinária (integral), Educação Física (licenciatura integral; matutina), Ciências Biológicas (bacharelado/licenciatura integral).

Especificamente para o curso de Agronomia (integral), oferecido em Ilha Solteira, Botucatu e Jaboticabal, por exemplo, o primeiro campus apresenta o menor valor de capital cultural. “Isso já era sugerido pela sua localização espacial, pois fica numa região de baixos valores de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ligada à fronteira oeste do Estado”, comenta Pereira.

“Jaboticabal, por sua vez, teve os maiores valores calculados para capital cultural por estar numa região que apresenta o maior valor desse tópico entre os três campi estudados”, diz o autor.

Para Pereira, a inserção da dimensão espacial no estudo dos elos entre o capital cultural do candidato e da cidade onde ele presta exame traz um enriquecimento às análises do perfil dos vestibulandos. “O diálogo entre a sociologia e o geoprocessamento é muito vantajoso e abre um leque adicional de ferramentas para compreender melhor o perfil de quem presta vestibular na instituição.”

Metodologia – Intitulado Urbanização e perfil de capital cultural: o geoprocessamento como ferramenta para estudos sociológicos, o estudo busca responder uma pergunta básica: para cada carreira oferecida pela UNESP, a variação do perfil de capital cultural encontrado no campus pode ser explicada pela configuração espacial do Índice de Desenvolvimento Humano-Municipal (IDH-M)?

A base do estudo foi a análise de dados do questionário socioeconômico do vestibular UNESP, realizado pela Vunesp em 2002. O questionário traz informações sobre o nível de escolaridade e a ocupação dos pais e mães dos candidatos, variáveis utilizadas para calcular o que se chamou de “capital cultural”. “Existe uma relação proporcional de influência entre o grau de urbanização de uma cidade ou grupo de cidades e o perfil de capital cultural dos vestibulandos dos cursos da UNESP ali localizados”, afirma Pereira.

O pesquisador conta que o IDH-M foi construído, em 1996, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e a Fundação João Pinheiro, a partir do Índice de Desenvolvimento Humano desenvolvido para o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em 1990. O objetivo do PNUD é medir a qualidade de vida e o progresso humano em âmbito mundial.

O IDH combina três componentes básicos: a longevidade, ligada às condições de saúde da população; a educação, com dados sobre alfabetização e matrícula nos níveis de ensino fundamental; e a renda, medida pelo poder de compra da população.

Serviço:

Urbanização e perfil de capital cultural de vestibulandos da UNESP: o geoprocessamento como ferramenta para estudos sociológicos;
Carlos José de Almeida Pereira; Pesquisa Vunesp número 20; 110 páginas.
Outras informações: (11) 3670-5300.

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