Líderes Obtusos e o Colapso Moral da Sociedade
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
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É sabido que a liderança é ancestral. Isso porque foi através dela que comunidades e sociedades se formaram, com o líder criando seus grupos para sobreviverem a intempéries, predadores e até mesmo invasões. O fato é que a necessidade de guiar grupos para a sobrevivência nos acompanha desde os nossos primórdios, e é nessa necessidade que os líderes surgem.
Segundo Bendassolli, Magalhães e Malvezzi (2014)[1], a liderança é o processo de influenciar o outro. Às vezes, o líder precisa criar normas e mostrar a direção comum a ser seguida; algumas vezes, é justamente neste ponto que vidas podem ser ceifadas. Isso foi ressaltado por Ramon Ortiz[2] ao buscar na história recente o caso do pastor Jim Jones, que levou quase mil pessoas a tomarem veneno, cometendo, assim, um suicídio coletivo em nome de um fanatismo fundamentado em pura imbecilidade.
Nas pregações deste pastor, mesclavam-se política e cristianismo, e a todo momento a fé cega de seus seguidores era testada. No final, seus liderados, acreditando nas falas de seu líder de forma unânime, cometeram suicídio. Observe-se que fundamentalismo e alienação andam juntos; afinal, não há manipulação quando o indivíduo tem em si o poder do discernimento, a criticidade e o protagonismo cognoscente.
A sociedade brasileira está passando por um colapso moral, por uma insanidade coletiva que faz pessoas agirem de forma estulta e automática. Elas acreditam estar fazendo a coisa certa ao rezar para pneus, fazer sinal com celular para extraterrestres, cantar o hino nacional para pneus no dia 7 de setembro (data comemorativa da independência do Brasil), carregar bandeiras estrangeiras e até mesmo beber detergente para provar o quão são imbecis e manipuladas.
Ao analisarmos a história, veremos que todos são vistos como gado de manobra. Tanto é assim que líderes políticos e/ou religiosos são tão coniventes com tais movimentos que, em momento algum, intercedem ou interferem nessa ação danosa, a qual trará em si prejuízos à saúde pública. Algumas pessoas podem ser vistas como líderes obtusos a influenciarem comportamentos idiotas, o que reforça as falas de Vries e Miller (1990) [3] ao afirmarem que, dependendo da liderança, ela pode ser patologicamente destrutiva — principalmente quando se trata de uma parcela da população radicalizada e idiotizada.
Por isso, faz-se importante conhecer a história e os contraexemplos de líderes que levaram seus liderados a cometerem atos insanos, como Hitler, que utilizou a propaganda em massa para desumanizar os inimigos do Estado e mobilizar populações inteiras em campanhas de extermínio e perseguição ideológica. Imaginem o poder de persuasão deste líder em uma época na qual sequer tínhamos as redes sociais.
Enfim, influenciamos e somos influenciados o tempo todo. Vale ressaltar uma fala atribuída a Confúcio, que diz: “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”. É por meio de exemplos que trabalharemos atitudes concretas, fazendo com que o caráter de nossos alunos seja forjado pela ética, pelo humanismo e pela autonomia intelectual.
[1] BENDASSOLLI, P. F., MAGALHÃES, M. O., & MALVEZZI, S. Liderança nas organizações. Em J. C. Zanelli, J. E. Borges-Andrade, & A. V. B. Bastos (Eds.), Psicologia, organizações e trabalho no Brasil (pp. 413-449). Artmed. 2014. http://dx.doi.org/10.17652/rpot/2018.3.13731
[3]VRIES, M. F. R. K. DE .; MILLER, D.. Narcisismo e liderança: uma perspectiva de relações de objetos. Revista de Administração de Empresas, v. 30, n. 3, p. 5–16, jul. 1990.