28/08/2007

Leitura é mais importante que literatura, afirma especialista

Por Cássia Gisele Ribeiro, do Aprendiz

"Não adianta a escola exigir que os alunos leiam os clássicos, se ela não trabalha a compreensão de texto e o interesse e prazer pela leitura", afirmou a pedagoga Regina Zilberman, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, durante o seminário Prazer em Ler de Promoção da Leitura, que acontece entre os dias 22 a 24 de agosto.

Segundo ela, o aluno sofre uma ruptura quando termina o Ensino Fundamental e chega ao Ensino Médio. "De uma hora para outra, o adolescente passa a ser cobrado de ler materiais clássicos e eruditos, que muitas vezes ele sequer entende", diz. "Esse imenso vácuo fatalmente resultará na falta de estímulo pela leitura".

De acordo com Zilberman, é nesse momento em que o aluno desiste de compreender aquilo que lê e sai em busca de resumos para cumprir as atividades em sala de aula. "A leitura deixa de ser vista como diversão e entretenimento e passa a ser obrigação".

A pedagoga sugere que as escolas de Ensino Médio façam um trabalho de resgate das preferências do adolescente em relação à leitura, "Entendendo e valorizando o conhecimento do aluno será mais fácil discutir as questões da leitura, do texto e, assim, apresentar os clássicos aos alunos", disse.

"Não estou dizendo que devemos só trabalhar os livros da cultura de massa. Eles não precisam ser trabalhados, jovens se apropriam de Harry Potter porque gostam e entendem os livros. Mas não podemos anular a bagagem que o aluno já traz para a escola. Precisamos completar esse conhecimento", diz.

A palestrante ressaltou que os clássicos são extremamente prazerosos em suas histórias, desde que sejam inseridos em um contexto. "Os clássicos são livros bons de serem lidos, desde que o aluno possa curtir o prazer dessa leitura ao invés de apenas fazer uma obrigação descontextualizada", diz.

Zilberman faz uma crítica às políticas públicas para a leitura, que segundo ela, só atingem as crianças pequenas e deixa os jovens de lado. "É como se depois dos 15 anos o jovem não precisasse mais ter prazer em ler. As bibliotecas das escolas de Ensino Médio não funcionam e a distribuição de livros se dá apenas com livros infantis", afirmou.

"Dessa forma, toda a responsabilidade pela formação de um aluno leitor fica sob a responsabilidade do professor, que tem que trabalhar sem recursos", diz. "Sem leitura, a formação se dá pela metade".
(Envolverde/Aprendiz)


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