Por Alexandre Saconi, do Aprendiz | “A juventude participa dos movimentos como uma força de inovação, como uma força propulsora que, aos poucos, vai colocando temas na agenda”. A afirmação é da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que debateu o tema “Os jovens e o desenvolvimento sustentável”, durante evento realizado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), na capital paulista.
Apesar dessa potência, que, segundo a ex-ministra, sempre faz o jovem sentir o cheiro do que é novo, é preciso aumentar o envolvimento e a participação dessa parcela da população nas questões que envolvem a sustentabilidade. Marina Silva citou a pesquisa “Dossiê Universo Jovem MTV”, que indica que o interesse dos jovens pela questão do meio ambiente é menor do que por temas como violência, desemprego, fome e drogas. “O candidato ou o representante eleito verifica o que pode trazer mais votos, e por isso itens relacionados ao meio ambiente são relegados para segundo plano”, complementou.
Neste contexto, a educação tem papel importante para a formação do jovem, mas, segundo a senadora, já existem leis que asseguram espaço para a educação ambiental, só é preciso implementá-las. “Já temos políticas de Estado para a educação ambiental. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) assegurou que ela passe a fazer parte da grade curricular, e de forma transversal. O Ministério da Educação (MEC) também tem feito um investimento para que os conteúdos e o material pedagógico sejam produzidos”, lembrou.
Ainda no campo da educação, Marina Silva citou a importância das práticas não-formais. “Nós temos os jovens, as redes de educomunicadores, além de um conjunto de medidas que podem fazer a interação com a educação ambiental dentro das escolas. São processos que precisam ser ampliados”.
Por fim, questionada pela plateia sobre a saída do ministério, a senadora comparou sua gestão como uma corrida de revezamento. “A gente corre até onde der. Vi que não havia mais condições de realizar a política planejada, e se minha saída servisse para mobilizar a sociedade em torno dos problemas ambientais, eu o faria. Assim foi. O que não pode é ficar com o bastão do revezamento na mão e não fazer nada”. (Envolverde/Aprendiz) |