06/02/2009

Jovens conseguem inserção na área da saúde por meio da Lei de Aprendizagem


Por Talita Mochiute, do Aprendiz

 

Damásio Pereira Damascena e Flávio Rovel Honorato estavam em busca do primeiro emprego quando terminaram o Ensino Médio. Hoje, aos 20 anos, conseguiram uma oportunidade na área da saúde por meio de um programa de aprendizagem que oferece formação e encaminhamento para empresas.



Os jovens fazem parte do grupo de 80 aprendizes participantes do curso de técnicas administrativas com ênfase hospitalar, oferecido pela Associação de Ensino Social Profissionalizante (Espro). “Está ampliando bastante a procura por esse programa. Há três anos temos parcerias com hospitais de Belo Horizonte e São Paulo”, comenta a gerente geral da Espro, Eliandra Cardoso.



A entidade sem fins lucrativos seleciona adolescentes e jovens entre 14 e 21 anos com renda familiar de até três salários mínimos. Na primeira fase, com duração de seis meses, eles recebem capacitação básica que inclui disciplinas como português e matemática. Após encaminhamento para empresas e contratação pela Lei de Aprendizagem, eles participam de uma formação específica de acordo com sua área de atuação.



Pela Lei de Aprendizagem, empresas de médio e grande porte devem ter entre 5% a 15% do seu quadro de funcionários formado por aprendizes. Para ser contratado como aprendiz é preciso ter entre 14 e 24 anos e estar matriculado na escola ou já ter concluído o Ensino Médio. Também é necessário cursar um programa de educação profissional oferecido pelo Sistema S, por escolas técnicas ou entidades sem fins lucrativos.



Damásio e Flávio souberam do programa de aprendizagem por meio de amigos. No final da capacitação básica, foram contratados como aprendizes pelo Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. Damásio trabalha no setor de diagnóstico e Flávio no setor de Enfermagem.



“Temos 11 aprendizes em nosso hospital em diferentes áreas. É o primeiro degrau da carreira administrativa. A ideia é que fiquem dois anos como aprendizes, na função de mensageiros, e depois sejam efetivados como auxiliar administrativo”, explica a gerente de recursos humanos do HCor, Silvana Castelani.



Processo de Formação



Para elaborar o programa de aprendizagem voltado à área de saúde, a Espro contou com a colaboração do setor de recursos humanos das empresas parceiras para a construção da grade curricular da formação específica. Com duração de 550 horas, o programa acontece uma vez por semana.



“O diferencial do nosso curso administrativo é trabalhar as questões específicas do segmento da saúde. Por exemplo, abordamos noções da estrutura hospitalar, mostrando para os jovens quais são departamentos do hospital e suas atividades. Tudo isso para que tenham a visão do ambiente em que estão inseridos. Essa visão geral é importante, pois eles exercem atividades de suporte em diferentes setores”, descreve Eliandra.



Sobre o diálogo entre teoria e prática, há algumas sugestões de melhorias. “No começo, as coisas não estavam se encaixando muito. Agora as aulas estão melhores”, comenta Flávio. Para Damásio, algumas matérias no início eram muito parecidas com as da escola. O curso poderia ser mais voltado para a empresa.



Segundo Eliandra, a preparação é para o mercado de trabalho. “Se eles não forem efetivados na empresa em que são aprendizes, com o curso teórico e a experiência nos hospitais têm mais oportunidades. O que desejamos é ampliar a visão de mundo desses jovens e mostrar quais são as possibilidades”.



Damásio, que organiza os exames médicos, está satisfeito com a experiência profissional. “Penso até em fazer faculdade de Administração”, revela. Já Flávio avalia que o primeiro emprego e o processo de formação têm ajudado a criar “um senso de responsabilidade”. “Preciso ficar atento aos pequenos detalhes. Ajudo a alimentar a escala dos enfermeiros. Se colocar o nome de alguém errado, eu gero um banco de horas desnecessário”, exemplifica.



Neste ano, será formada a primeira turma deste programa da Espro. De acordo com Eliandra, há grandes chances dos hospitais incorporarem os aprendizes no seu quadro. “O projeto está dando certo”, avalia Silvana.



Outros hospitais de São Paulo, como Sírio Libanês, Albert Einstein e Santa Catarina, também contratam aprendizes. Em Belo Horizonte, em parceria com a Espro, há programa de aprendizagem no Hospital e Maternidade Santa Rita, Hospital Infantil Anchieta, Hospital Vera Cruz e outros.

 


Crédito da imagem:www.sxc.hu


(Envolverde/Aprendiz)
 
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