21/12/2006

Jovens carentes chegam a segunda fase da Fuvest

Por Alan Meguerditchian e Cassia Gisele Ribeiro, do Aprendiz

Dos 27 jovens que participaram, no ano de 2006, do cursinho pré-vestibular do Programa de Acesso à Universidade, 20 passaram para a segunda fase do vestibular mais concorrido do país: a Fuvest. Todos são estudantes de baixa renda que concluíram o Ensino Médio em escolas públicas, formação que dificilmente daria a eles a oportunidade de ingressar em uma universidade pública.

Em uma sala de 100 m², os jovens assistem aulas ministradas por professores integrantes da Universidade de São Paulo (USP). Além das disciplinas tradicionais de literatura, redação, gramática, história, geografia, química, física, matemática, inglês e biologia, os estudantes também têm aulas de artes, comunicação e orientação vocacional.

A iniciativa do cursinho comunitário é fruto de uma parceria entre a Fundação Instituto de Administração da Faculdade de Economia e Administração da USP, a Associação Cidade Escola Aprendiz e os Bancos JP Morgan e Santander.

"Esse ano foi muito importante. Pela primeira vez tivemos a responsabilidade de aprender realmente", diz o aluno Aleksandro da Silva, de 19 anos, que está prestando Engenharia Química. "No início achei que fosse impossível conseguir aprender algumas coisas, achei que não tinha capacidade, mas consegui superar as dificuldades e aprender o conteúdo", conclui o jovem que participa também das provas da Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Tecnologia (Fatec).

Segundo a gestora do projeto, Inez de Oliveira, a elevação da auto-estima dos estudantes é um dos grandes méritos do projeto, conquistado por meio de um trabalho que vai além dos aspectos pedagógicos. "Fazemos um trabalho que abrange o jovem como um todo. Oferecemos os recursos necessários como transporte, material, alimento e atendimento psicológico. Com tudo isso, o jovem transforma a baixa auto-estima em vontade de ingressar na faculdade. Ele passa a acreditar nele mesmo", diz.

"Se não fossem os recursos oferecidos, não conseguiria estudar, porque teria de procurar um emprego", lembra o hoje estudante de Geografia da USP, Marcio de Jesus Lima, 21 anos, que participou do cursinho no ano de 2005. Segundo a avaliação do ex-aluno, a carga de aula foi bastante pesada, mas a competência dos professores compensava o pouco tempo disponível para estudar. "Como não conseguia estudar muito fora do horário de aula, era necessário prestar muita atenção. E os professores conseguiam fazer com que isso acontecesse".

Segundo a gestora do projeto, os professores têm uma formação voltada à proposta do cursinho, diz Oliveira. "Eles têm uma linguagem mais social. São educadores próximos da realidade dos estudantes e que ajudam muito os alunos durante o ano", acredita ela. "As aulas foram excepcionais. Como fiquei dois anos, pude aprender muito, tanto com os conteúdos como com as conversas e reflexões com os professores", conta a aluna Conceição Roberta da Silva, 19 anos, que está concorrendo a uma vaga no curso de Letras.

Oliveira lembra que diante das conversas e reflexões dos alunos com professores, psicólogas que fazem a orientação vocacional e colegas, os vestibulandos amadurecem e muitas vezes mudam de opção de carreira durante o ano. "Mostramos para os jovens que existem diversos caminhos para se chegar a um sonho e que muitas variáveis estão envolvidas como tempo e custo. Assim, a maioria acaba optando por alguma carreira na área das Ciências Humanas", diz.

"Participar me fez abrir os horizontes sobre o que é uma universidade, o que é um vestibular. Me fez conhecer um pouco mais sobre o mundo acadêmico, que não é só um lugar onde aprendemos uma profissão", lembra Silva, futura estudante de Letras.

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